Cientistas descobriram que peixes de sangue quente, como o grande tubarão-branco e o atum, queimam quase quatro vezes mais energia do que as espécies de sangue frio, enfrentando riscos elevados à medida que os oceanos aquecem. A pesquisa destaca um 'risco duplo' decorrente do aumento das demandas metabólicas e da diminuição dos estoques de alimento. Espécimes grandes podem ter dificuldade em manter temperaturas corporais estáveis acima de certos limites de temperatura da água.
Pesquisadores do Trinity College Dublin e da Faculdade de Ciências Veterinárias da Universidade de Pretória analisaram peixes mesotérmicos, um grupo raro que compreende menos de 0,1% das espécies, incluindo atuns, grandes tubarões-brancos e tubarões-peregrinos de até 3,5 toneladas. Esses peixes retêm o calor corporal para obter vantagens como nadar mais rápido e caçar melhor, mas o estudo, publicado na Science, mostra que eles usam cerca de 3,8 vezes mais energia do que peixes ectotérmicos de tamanho semelhante, após contabilizar as diferenças de tamanho e temperatura. Um aumento de 10°C na temperatura corporal mais do que dobra sua taxa metabólica de rotina, exigindo muito mais alimento para sustentar seu estilo de vida. O Dr. Nicholas Payne, autor principal da Escola de Ciências Naturais do Trinity, afirmou: 'Os resultados foram realmente surpreendentes — após contabilizar o tamanho corporal e a temperatura, descobrimos que os peixes mesotérmicos usam cerca de 3,8 vezes mais energia do que peixes ectotérmicos de tamanho semelhante'. A equipe desenvolveu um novo método usando sensores de registro biológico em peixes selvagens para medir a produção e a perda de calor em tempo real, combinando isso com dados laboratoriais de espécies menores. Peixes maiores enfrentam riscos ampliados porque seus corpos geram calor mais rapidamente do que conseguem dissipá-lo devido à geometria e à física, levando a temperaturas corporais mais altas com o passar do tempo. O professor Andrew Jackson, autor sênior, definiu 'limiares de equilíbrio térmico', observando que um tubarão de sangue quente de 1 tonelada pode ter dificuldades em águas acima de 17°C, forçando mudanças comportamentais como nadar mais devagar ou mergulhar mais fundo, o que poderia prejudicar a busca por alimento. O Dr. Edward P. Snelling, da Universidade de Pretória, acrescentou: 'À medida que os oceanos aquecem, essas espécies estão sendo empurradas para mais perto de seus limites fisiológicos'. As descobertas sugerem uma redução das áreas habitáveis em direção às regiões polares mais frias ou a maiores profundidades, agravada pela sobrepesca e pela escassez de presas em meio às mudanças climáticas.