Pesquisadores debatem se secas provocaram agitação na Britânia romana tardia durante a chamada Conspiração Bárbara de 367 d.C. Um estudo utilizando dados de anéis de árvores associou secas severas no verão entre 364 e 366 a colheitas fracas e rebeliões, mas historiadores afirmam que as fontes históricas foram mal interpretadas. A disputa ressalta os desafios em combinar dados climáticos com registros históricos.
Uma equipe liderada por Ulf Büntgen, da Universidade de Cambridge, analisou anéis de carvalhos do sul da Britânia e do norte da França, reconstruindo o clima de 288 a 2009 d.C. Eles identificaram secas severas de verão entre 364 e 366, coincidindo com a Conspiração Bárbara, quando guerreiros da Britânia e da Irlanda derrotaram forças romanas e sequestraram um comandante sênior. O grupo de Büntgen argumentou que as secas levaram a colheitas fracas, levando líderes locais a se rebelarem contra Roma, contribuindo para a retirada gradual do império nos 50 anos seguintes. O estudo também constatou que batalhas eram mais prováveis após verões secos ou quentes em um conjunto de dados de 106 conflitos do Império Romano. As descobertas atraíram a atenção da mídia da BBC News, The Guardian e The Telegraph. Uma crítica publicada na Climatic Change por Helen Foxhall Forbes, da Universidade Ca’ Foscari de Veneza, James Harland, da Universidade de Bonn, e Dan Lawrence, da Universidade de Durham, contesta essas interpretações. Eles argumentam que a única fonte primária, a Res gestae de Amiano Marcelino, não sustenta que a seca tenha causado fome ou rebelião. Amiano descreve a 'ultimam… inopiam' — desamparo total — dos bretões como uma consequência da agitação, não sua causa, e termos como 'barbarica conspiratio' são ambíguos, possivelmente significando ataques em vez de um levante coordenado. Büntgen respondeu no periódico, citando um artigo de 1984 que interpreta 'inopiam' como fome, e pediu um debate construtivo com a reanálise dos dados. O historiador do clima Dagomar Degroot, da Universidade de Georgetown, observou o valor dos dados dos anéis de árvores apesar das lacunas de especialização histórica, destacando as tensões entre historiadores minimalistas focados em detalhes e maximalistas que buscam padrões mais amplos.