Cientistas usando o Telescópio Espacial James Webb produziram o mapa de matéria escura de maior resolução até o momento, baseado em distorções em 250.000 galáxias. Este mapa descobre estruturas cósmicas previamente invisíveis e pode aprofundar o entendimento da evolução do universo. A conquista destaca o papel dominante da matéria escura, que compreende 85 por cento da matéria do universo.
Astrônomos liderados por Jacqueline McCleary na Northeastern University em Massachusetts mapearam matéria escura analisando efeitos de lente gravitacional em galáxias distantes observadas com o Telescópio Espacial James Webb (JWST). A equipe examinou uma área do céu ligeiramente maior que a lua cheia, alcançando resolução duas vezes maior que mapas anteriores do Telescópio Espacial Hubble e estendendo-se a regiões cósmicas mais remotas. A matéria escura, que não emite luz detectável, revela-se por sua influência gravitacional na matéria visível. Ao estudar como essa gravidade distorce a luz de cerca de 250.000 galáxias de fundo —descritas como 'papel de parede cósmico' por Liliya Williams da University of Minnesota—, os pesquisadores traçaram aglomerados massivos de galáxias e os filamentos conectores da teia cósmica. Algumas dessas características não se alinham com observações anteriores de matéria luminosa, sugerindo que são compostas principalmente de matéria escura. «É uma imagem de altíssima resolução do arcabouço deste pequeno canto do universo», observou McCleary. Williams, que não participou do estudo, enfatizou a superioridade do método: «Para identificar muitas dessas estruturas em um campo amplo, a lente gravitacional é uma das poucas técnicas, e definitivamente a melhor». Este mapeamento é significativo porque a matéria escura constitui cerca de 85 por cento da matéria total do universo, moldando a formação de galáxias, aglomerados e o cosmos em geral. Os dados podem refinar parâmetros cosmológicos, incluindo a força da energia escura, e explorar como galáxias e seus halos de matéria escura evoluem. «Não é apenas um golpe observacional, mas por sua vez permitirá muita outra análise — restrições de parâmetros cosmológicos, a conexão entre galáxias e seus halos de matéria escura e como eles crescem e evoluem ao longo do tempo», disse McCleary. Resultados preliminares alinham-se com o modelo padrão lambda-CDM de cosmologia, embora análise mais profunda esteja em andamento. «Embora à primeira vista seja compatível com lambda-CDM, ainda não desisto — estou retendo o julgamento até terminarmos nossa análise», acrescentou McCleary. As descobertas aparecem em Nature Astronomy (DOI: 10.1038/s41550-025-02763-9).