O município de Juruaia, em Minas Gerais, com 11.652 habitantes, se destaca como a 'capital da lingerie', produzindo mais de 1,5 milhão de peças por mês em mais de 200 confecções, majoritariamente lideradas por mulheres. Esse polo gera 5.000 empregos e atrai mão de obra de cidades vizinhas, superando economicamente o café tradicional na região. A produção, iniciada em 1992, impulsiona o PIB local com crescimento anual de cerca de 30%.
Juruaia, incrustado em uma região cafeeira do sul de Minas Gerais, transformou-se em um polo industrial de lingerie nas últimas três décadas. Com um pórtico na entrada da cidade anunciando sua identidade como 'capital da lingerie', o município abriga mais de 200 confecções que produzem calcinhas, sutiãs, cuecas e pijamas, gerando um faturamento bruto mensal superior a R$ 15 milhões, segundo a Aciju (Associação Comercial e Industrial de Juruaia).
O setor é predominantemente gerido por mulheres, que comandam 95% dos negócios e criam cerca de 5.000 empregos diretos e indiretos. A empreendedora Tânia Mara Rezende, 45 anos, exemplifica esse dinamismo: há 20 anos, fundou a Íntima Passion, que hoje produz 30 mil peças mensais e emprega 150 pessoas, 52 delas diretamente. "E a mão de obra feminina não quer trabalhar no café, então a opção é trabalhar nas indústrias da cidade. [...] Em muitas casas a mulher, o marido e a filha atuam numa empresa pequena que presta serviço para outras", disse ela à Folha.
Iniciado em 1992 com duas empresas que fecharam em menos de dois anos, o polo ganhou força a partir de ex-funcionárias que abriram novos negócios. Hoje, 70% da produção foca em calcinhas e sutiãs, com nichos em ascensão como homewear e moda fitness. O emprego formal no setor de confecções representa 53,8% do total municipal.
No centro, mais de 120 lojas atraem compradores de Minas Gerais e São Paulo. Uma feira em abril movimentou R$ 9,5 milhões em negócios, com 4.100 lojistas participantes. Parte da produção é exportada para Estados Unidos, Portugal, Argentina, Emirados Árabes Unidos e Alemanha. A pandemia acelerou as vendas digitais, como destacou Leonardo Mól, gerente do Sebrae Minas: "Você vai para dentro de uma loja hoje e, se tem 10 vendedores, 8 estão fazendo vendas online e 2 estão nas presenciais."
Símbolos como o maior sutiã do Brasil (16 m de comprimento por 5 m de altura) e a maior calcinha, instalada em 2023, reforçam a identidade local. Para 2026, o polo planeja rodadas de negócios itinerantes em Uberlândia, interior paulista, Nordeste e Distrito Federal, além de consultorias em reforma tributária e automação via WhatsApp e TikTok Shop.