Os presidentes do PL e do União Brasil anunciaram esforços para impedir que a PEC que acaba com a escala 6x1 avance na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Eles argumentam que uma votação no plenário seria difícil em ano eleitoral. A proposta altera a Constituição para limitar a jornada a 36 horas semanais.
Em um jantar com empresários na região da Faria Lima, em São Paulo, na noite de 23 de fevereiro de 2026, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, e Antonio Rueda, do União Brasil, expressaram intenção de travar a tramitação da PEC que extingue a escala 6x1 na CCJ da Câmara dos Deputados. A medida visa evitar que o texto chegue ao plenário, onde, segundo eles, deputados teriam dificuldade em votar contra devido ao calendário eleitoral.
"É difícil um cidadão que é candidato a deputado federal, que é candidato a senador, votar contra [o fim da escala] 6x1 se colocarem para votar. Nós vamos trabalhar para não deixar votar", disse Valdemar a um grupo de empresários, promovido pelo grupo Esfera. Ele acrescentou: "Vamos trabalhar para isso. Vamos mudar a vida para isso. E o que nós pretendemos fazer é trabalhar com o presidente da Câmara e segurar isso aí na CCJ".
A PEC principal é de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), à qual foi apensada a proposta do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). Ambas alteram o artigo 7º da Constituição, estabelecendo jornada máxima de 36 horas semanais, distribuíveis conforme o empregador, com limite diário de oito horas. A versão de Lopes prevê possibilidade de 5x2 com sete horas diárias em setores como bancos, enquanto a de Erika sugere quatro dias de trabalho.
Rueda criticou a proposta como danosa à economia e motivada por fins eleitorais. "Quando você olha para qualquer país desenvolvido, essa proposta é muito danosa para a economia e para o setor produtivo. E ela é posta de maneira eleitoral", afirmou. Ele destacou dificuldades para parlamentares votarem contra no plenário, citando o deputado Maurício Carvalho (União Brasil-RO), presente no evento. "Se essa proposta for a plenário, ela é avassaladora", disse Rueda, estimando que a oposição tem cerca de 70 votos, contra 140-150 da esquerda.
Em evento na Fiesp no mesmo dia, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu que a redução da jornada é tendência mundial impulsionada pela automação, respondendo a Paulo Skaf, que sugeriu adiar o debate para 2027 por ser ano eleitoral.
Um estudo da CNC indica que 92% dos trabalhadores do comércio estão em jornadas acima de 40 horas, com custo estimado de R$ 357,4 bilhões para adaptação em comércio e serviços. A entidade defende negociações coletivas em vez de mudança constitucional.