Uma coalizão de 25 frentes parlamentares ligadas ao setor produtivo defendeu nesta segunda-feira (2 de março) aprofundar os debates e adiar a análise de propostas que acabam com a escala 6x1, criticando o calendário proposto pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. O grupo argumenta que a discussão está contaminada por viés eleitoral, ligado à campanha do presidente Lula. Representantes do setor produtivo alertam para impactos econômicos negativos de uma mudança rápida.
Em um jantar na sede da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado, representantes de 25 frentes parlamentares do setor produtivo, como a Frente Parlamentar pela Melhoria do Ambiente de Negócio e a Frente Parlamentar da Agropecuária, defenderam uma 'modernização da jornada de trabalho' em vez de uma mudança abrupta na escala 6x1. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), propôs analisar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o modelo de seis dias de trabalho por um de descanso ainda no primeiro semestre, com votação final projetada para maio.
Líderes do grupo criticaram o calendário como 'eleitoreiro', influenciado pela campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que prioriza a redução da jornada máxima para 40 horas semanais sem corte salarial. A PEC, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSol-SP), foi encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no início de fevereiro. A CCJ deve concluir sua análise em março, sem alterações no texto, decidindo apenas se a matéria prossegue. Em seguida, uma comissão especial discutiria o mérito, e o plenário exigiria 308 votos favoráveis em dois turnos para aprovação.
Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, afirmou: 'Concordamos em ter debate, mas aprofundado. O que queremos é poder debater profundamente esse tema'. Ele acrescentou: 'Não pode ocorrer no calendário que eles querem. Nosso ponto é debater e encontrar um caminho correto'. O setor produtivo já pressionou Motta por mais tempo de discussão.
Durante o evento, os parlamentares assistiram a uma apresentação do economista José Eduardo Gibello Pastore sobre um estudo da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca). O documento indica que reduzir a jornada para 36 horas semanais sem corte salarial elevaria o salário-hora em 22% e a folha salarial, podendo causar retração econômica e queda no PIB. O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP) alertou: 'Nós não somos do contra, mas precisamos ser coerentes. As coisas vão ficar mais caras. A vida vai ficar mais cara. É remar contra a corrente. Aprovar é confortável, mas não fica bem na fita'.
Em paralelo, o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antonio Neto, rebateu críticas do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sobre atrasos na pauta da 6x1, atribuindo-os à postura da CUT em negociações anteriores. Neto disse: 'Discordo do ministro Marinho, essa conta não é das Centrais Sindicais. Não chegamos a um acordo por causa de uma Central que foi para o tudo ou nada em duas oportunidades'. As centrais sindicais afirmam que continuarão lutando pela redução da jornada no Congresso.