Cientistas descobriram que padrões geométricos específicos em recifes de ostras aumentam a sobrevivência de ostras jovens, oferecendo um projeto para restauração em todo o mundo. O estudo, publicado na Nature, analisou recifes naturais de ostras-de-sydney e testou designs artificiais em estuários locais. As descobertas enfatizam a importância de pequenos espaços protegidos em detrimento de estruturas complexas.
Pesquisadores liderados pelo Dr. Juan Esquivel-Muelbert, da Macquarie University, utilizaram fotogrametria 3D de alta resolução para mapear a geometria de recifes sobreviventes de ostras-de-sydney. As ostras constroem esses recifes a partir de indivíduos vivos e conchas acumuladas, agindo como engenheiras de ecossistemas. O Dr. Esquivel-Muelbert afirmou: 'Os recifes são sistemas 3D precisamente ajustados. Sua forma controla quem vive, quem morre e a rapidez com que o recife cresce'. A equipe criou 16 designs de placas de concreto imitando formas naturais e os instalou em Brisbane Water, no rio Hawkesbury e em Port Hacking, perto de Sydney, monitorando a fixação, o crescimento e a sobrevivência com e sem o uso de gaiolas contra predadores. O experimento revelou que os designs que oferecem múltiplos pequenos espaços protegidos para ostras juvenis tiveram o melhor desempenho, resguardando-as de predadores como peixes e caranguejos, além de protegê-las do superaquecimento e do ressecamento. 'Embora a área de superfície total seja importante, as ostras juvenis são muito pequenas e altamente vulneráveis', explicou o Dr. Esquivel-Muelbert. As configurações ideais coincidiram com os recifes naturais para a fixação e sobrevivência a longo prazo. A professora Melanie Bishop, autora sênior, observou que 85% dos recifes de ostras da Austrália foram perdidos desde a colonização europeia devido à coleta, dragagem e uso de conchas na construção civil. O coautor sênior, professor Joshua Madin, do Hawaiʻi Institute of Marine Biology, acrescentou: 'A natureza já resolveu o problema do design. Nosso trabalho é ler esse projeto e replicá-lo em escala'. Essas percepções podem orientar a restauração global de recifes de ostras e outros similares, melhorando os habitats e a proteção costeira. As descobertas aparecem na Nature (DOI: 10.1038/s41586-026-10103-8), com materiais fornecidos pela Macquarie University.