Cientistas sugerem que impactos de asteroides criaram ambientes quentes e ricos em produtos químicos que poderiam ter dado início à vida na Terra. Uma nova revisão liderada pela recém-graduada da Rutgers, Shea Cinquemani, destaca os sistemas hidrotérmicos gerados por impactos como potenciais berços para os blocos de construção da vida. Esses sistemas podem ter persistido por milhares de anos, oferecendo condições ideais para a biologia primitiva.
Shea Cinquemani, que obteve seu bacharelado em biologia marinha e gestão pesqueira pela Rutgers School of Environmental and Biological Sciences em maio de 2025, liderou uma revisão científica publicada no Journal of Marine Science and Engineering. Em coautoria com o oceanógrafo da Rutgers, Richard Lutz, o artigo explora como o impacto de meteoritos poderia ter formado fontes hidrotermais semelhantes às do fundo do mar, mas alimentadas pelo calor do impacto em vez do vulcanismo. Cinquemani começou o trabalho como uma tarefa de graduação no curso de Lutz sobre fontes hidrotermais, focando inicialmente em Marte antes de expandir para as condições da Terra primitiva. A revisão passou por um rigoroso processo de revisão por pares com 15 páginas de comentários ao longo de cinco rodadas, observou Lutz, elogiando a perseverança dela. Esses locais de impacto criaram lagos com centros aquecidos onde a água rica em minerais circulava, promovendo reações químicas. Cinquemani examinou três crateras: a cratera de Chicxulub sob a Península de Yucatán, no México, formada há 65 milhões de anos; a cratera de Haughton no Ártico canadense, com cerca de 31 milhões de anos; e o Lago Lonar na Índia, criado há cerca de 50.000 anos. Esses sistemas poderiam durar de milhares a dezenas de milhares de anos, tempo suficiente para que moléculas simples formassem estruturas complexas, disse ela. A Terra primitiva enfrentou impactos frequentes, tornando tais ambientes comuns, de acordo com a pesquisa. Lutz, que explorou fontes do fundo do mar no submersível Alvin décadas atrás, disse que os cientistas discutem há muito tempo as fontes como a origem da vida, mas as geradas por impactos oferecem novos insights. As descobertas podem orientar a busca por vida em Marte, Europa (lua de Júpiter) e Encélado (lua de Saturno), onde atividades hidrotérmicas semelhantes podem existir. Cinquemani, agora técnica no New Jersey Aquaculture Innovation Center da Rutgers, enfatizou a curiosidade da humanidade sobre as origens: 'Talvez nunca saibamos exatamente como começamos, mas podemos tentar o nosso melhor para entender como as coisas podem ter ocorrido'.