Cientistas criam relógio cósmico a partir de cristais de zircão para estudar paisagens antigas

Pesquisadores da Curtin University desenvolveram uma técnica usando gás criptônio em cristais de zircão microscópicos para rastrear a história das paisagens da Terra ao longo de milhões de anos. O método, que depende de raios cósmicos atingindo minerais de superfície, revela como a erosão e o movimento de sedimentos moldaram terrenos em resposta a mudanças climáticas e tectônicas. Essa abordagem também pode auxiliar na localização de depósitos minerais na Austrália.

Uma equipe internacional liderada por cientistas do Timescales of Mineral Systems Group da Curtin University, na School of Earth and Planetary Sciences, introduziu um método inovador para investigar paisagens antigas. Em colaboração com pesquisadores da University of Göttingen e da University of Cologne, o grupo analisou cristais de zircão extraídos de areias de praia antigas. Esses minerais duráveis, conhecidos por resistirem à intemperização e à erosão ao longo de milhões de anos, capturam gás criptônio produzido quando raios cósmicos — partículas de alta energia provenientes do espaço — os atingem perto da superfície da Terra.  nnPor meio da quantificação do criptônio retido, os pesquisadores podem determinar o tempo que os grãos de zircão passaram expostos na superfície antes do sepultamento. Isso funciona como um “relógio cósmico”, fornecendo percepções sobre o ritmo da erosão das paisagens, do reprocessamento de sedimentos e da estabilização em escalas geológicas de tempo.  nnO autor principal, Dr. Maximilian Dröllner, Adjunct Curtin Research Fellow afiliado à University of Göttingen, explicou a importância: “A história do nosso planeta mostra que forças climáticas e tectônicas podem controlar o comportamento das paisagens em escalas de tempo muito longas. Esta pesquisa nos ajuda a compreender o que ocorre quando os níveis do mar mudam e como movimentos profundos da Terra influenciam a evolução das paisagens.”  nnOs achados indicam que, em regiões tectonicamente estáveis com níveis elevados do mar, as taxas de erosão diminuem, permitindo que os sedimentos persistam e sejam reprocessados por milhões de anos.  nnO coautor Professor Chris Kirkland, chefe do Timescales of Mineral Systems Group, destacou aplicações mais amplas: “À medida que modificamos os sistemas naturais, podemos esperar alterações na forma como os sedimentos são armazenados em bacias fluviais e ao longo de costas e plataformas continentais. Nossos resultados mostram que esses processos podem remodelar fundamentalmente as paisagens, não apenas as linhas costeiras, ao longo do tempo.”  nnO Professor Associado Milo Barham, outro coautor do grupo, relacionou a pesquisa à prospecção de recursos: “O clima não afeta apenas ecossistemas e padrões meteorológicos, mas também determina onde os recursos minerais se depositam e quão acessíveis eles se tornam. Períodos prolongados de armazenamento de sedimentos permitem que minerais duráveis se concentrem gradualmente, enquanto materiais menos estáveis se decompõem, explicando por que a Austrália abriga alguns dos depósitos de areia mineral mais importantes do mundo.”  nnO estudo, intitulado “Ancient landscape evolution tracked through cosmogenic krypton in detrital zircon”, foi publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences em 2026.

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