Pesquisadores determinaram que um buraco gravitacional incomum sob a Antártida se formou devido a movimentos lentos de rochas no interior profundo da Terra ao longo de milhões de anos. A anomalia fortaleceu-se entre 50 e 30 milhões de anos atrás, coincidindo com mudanças no clima do continente. Esta descoberta fornece perspetivas sobre como o interior da Terra influencia condições de superfície como níveis do mar e lençóis de gelo.
A gravidade varia ligeiramente ao longo da superfície da Terra, com uma das anomalias mais notáveis localizada sob a Antártida, onde a atração é mais fraca do que o esperado. Um estudo publicado na Scientific Reports revela que este «buraco gravitacional» resultou de mudanças graduais na densidade das rochas muito abaixo da superfície, ocorrendo ao longo de dezenas de milhões de anos. Os modelos deles rastrearam a evolução da anomalia gravitacional até há cerca de 70 milhões de anos. Inicialmente mais fraca, intensificou-se entre cerca de 50 e 30 milhões de anos atrás — um período que coincide com o início da glaciação generalizada na Antártida. As variações na gravidade afetam a dinâmica oceânica; em zonas mais fracas, os níveis do mar parecem mais baixos em relação ao centro da Terra, à medida que a água flui para áreas de gravidade mais forte. Forte enfatizou as implicações mais amplas: «Se pudermos entender melhor como o interior da Terra molda a gravidade e os níveis do mar, ganhamos perspetiva sobre fatores que podem importar para o crescimento e a estabilidade de grandes lençóis de gelo.» Os achados coincidem com medições de satélite do campo gravitacional da Terra, validando a abordagem. Trabalhos futuros poderão explorar ligações entre estes processos profundos e a formação de gelo antártico, abordando como as dinâmicas do interior planetário se conectam aos sistemas climáticos de superfície.