Cientistas revelaram que uma pluma do manto oculta contribuiu para a formação do Complexo King's Trough, um vasto sistema de cânions submarinos no Atlântico Norte maior que o Grand Canyon. Localizado a cerca de 1.000 quilômetros da costa de Portugal, esta estrutura de 500 quilômetros resultou do rifte tectônico entre a Europa e a África há milhões de anos. As descobertas, baseadas em amostras de rochas e mapeamento do fundo do mar, destacam como processos profundos da Terra influenciam as características do fundo oceânico.
O Complexo King's Trough estende-se por cerca de 500 quilômetros e apresenta trincheiras paralelas e bacias profundas, com o Peake Deep marcando um dos pontos mais profundos do Atlântico em sua borda oriental. Ao contrário dos cânions terrestres erodidos por rios, esta formação oceânica surgiu de movimentos tectônicos em vez do fluxo de água. Um estudo liderado por pesquisadores do GEOMAR Helmholtz Centre for Ocean Research Kiel explica sua origem. Entre 37 e 24 milhões de anos atrás, uma fronteira de placa transitória separando a Europa e a África deslocou-se pela região, separando a crosta de leste a oeste. Antes disso, a crosta oceânica havia engrossado e aquecido devido a uma pluma do manto — uma coluna de material quente subindo das profundezas da Terra. Esta pluma é considerada um ramo inicial da atual pluma do manto dos Açores, que enfraqueceu a crosta e direcionou o rifte para lá. «Nossos resultados agora explicam pela primeira vez por que esta estrutura notável se desenvolveu precisamente nesta localização», declarou a autora principal, Dra. Antje Dürkefälden, geóloga marinha no GEOMAR. O coautor PD Dr. Jörg Geldmacher acrescentou: «Esta crosta engrossada e aquecida pode ter tornado a região mecanicamente mais fraca, de modo que a fronteira de placa se deslocou preferencialmente aqui.» A pesquisa baseou-se em dados da expedição M168 de 2020 a bordo do navio de pesquisa METEOR. A equipe usou sonar de alta resolução para mapeamento do fundo marinho e coletou amostras de rochas vulcânicas via dragagem. A análise laboratorial da química e idades das rochas, realizada em instituições incluindo a University of Madison em Wisconsin, suportou a linha do tempo. Dados batimétricos adicionais vieram da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC) de Portugal, com contribuições da Universidade de Kiel e da Martin Luther University Halle-Wittenberg. Essas percepções ilustram interações entre atividade do manto e tectônica de placas no Atlântico. Um processo similar pode estar ativo hoje perto dos Açores, onde o Rift de Terceira está se desenvolvendo em crosta engrossada. O estudo aparece em Geochemistry, Geophysics, Geosystems.