Gelo Hektoria colapsa rapidamente na Antártida

Em 2023, o gelo Hektoria, na Península Oriental da Antártida, recuou oito quilômetros em apenas dois meses, marcando o evento mais rápido já registrado. Quase metade do glaciar se partiu devido à sua posição sobre uma rocha submarina plana. A descoberta, detalhada em um novo estudo, destaca vulnerabilidades em outras características de gelo antártico.

Pesquisadores da University of Colorado Boulder documentaram um recuo sem precedentes do gelo Hektoria, um glaciar de maré na Península Oriental da Antártida. Entre 2023 e início de 2024, o glaciar perdeu cerca de oito quilômetros de gelo em 60 dias, com quase metade de sua extensão de 115 milhas quadradas — aproximadamente o tamanho de Filadélfia — se desprendendo para o mar. O colapso rápido foi desencadeado pela localização do glaciar sobre uma planície de gelo, um trecho plano de rocha abaixo do nível do mar. À medida que o gelo afinou, grandes seções se desprenderam do leito marinho e começaram a flutuar, expondo-as às forças do oceano que alargaram rachaduras da base à superfície. Essa reação em cadeia levou a um desprendimento extenso em semanas. Dados de satélite e instrumentos sísmicos capturaram o evento quase em tempo real, detectando terremotos glaciares que confirmaram que o gelo estava ancorado antes de se levantar. A equipe, liderada por Naomi Ochwat, pesquisadora pós-doutoral do CIRES, inicialmente revisou a área enquanto estudava o descolamento de gelo marinho ligado à ruptura de uma prateleira de gelo em 2002. Inesperadamente, imagens de satélite revelaram o recuo dramático. «Quando sobrevoamos Hektoria no início de 2024, não conseguia acreditar na vastidão da área que havia colapsado», disse Ochwat. Observações frequentes de satélite permitiram uma reconstrução precisa: «Se tivéssemos apenas uma imagem a cada três meses, talvez não pudéssemos dizer que o glaciar perdeu dois quilômetros e meio em dois dias», acrescentou. Evidências históricas mostram que planícies de gelo semelhantes permitiram recuos rápidos há 15.000 a 19.000 anos, às vezes centenas de metros por dia. Ted Scambos, Cientista de Pesquisa Sênior do CIRES, observou as implicações: «O recuo de Hektoria é um choque — esse tipo de recuo relâmpago realmente muda o que é possível para outros glaciares maiores no continente». Tais eventos poderiam acelerar o aumento do nível do mar se replicados em outros lugares, pois planícies de gelo subjazem a muitos glaciares antárticos. Os achados aparecem na Nature Geoscience.

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