As autoridades russas prenderam Daria Egereva, uma mulher indígena selkup e proeminente ativista climática, por acusações de participação em uma organização terrorista. Observadores veem a detenção como retaliação por seu trabalho promovendo vozes indígenas na ONU. Egereva, de Tomsk no oeste da Sibéria, enfrenta possível prisão de até 20 anos.
Daria Egereva há muito defende os direitos indígenas em fóruns climáticos internacionais. Como co-presidente do Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas desde 2023, ela facilitou a participação indígena em reuniões da ONU, incluindo as Conferências das Partes (COP) anuais. Na COP30 no Brasil em novembro passado, Egereva defendeu maior inclusão de mulheres indígenas nas negociações. «Se não protegermos as mulheres, não temos futuro», declarou em um vídeo nas redes sociais em 21 de novembro. nnA advocacia de Egereva se estendeu além da COP. Ela pesquisou os impactos da transição verde em comunidades indígenas, alertando em um relatório de 2024 que, sem estruturas adequadas, poderia perpetuar «injustiças históricas, marginalização, discriminação e despossessão de suas terras e recursos». nnEm 17 de dezembro, autoridades russas revistaram a casa de Egereva em Tomsk, apreenderam seus dispositivos digitais e a detiveram. O Fórum Internacional de Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas descreveu a ação como «retaliação direta» por seu trabalho na ONU, particularmente na COP30. A co-presidente Sineia Do Vale, uma Wapichana do Brasil, condenou-a como parte de um padrão global de repressão contra povos indígenas envolvidos em processos de direitos humanos e clima. nnAs afiliações de Egereva provavelmente contribuíram para seu alvo. Ela pertencia ao Fórum Aborigen, rotulado como organização «extremista» pela Rússia em julho de 2024, e ao Centro de Apoio aos Povos Indígenas do Norte, fechado em 2019. Ela permanece detida até uma audiência judicial em 17 de fevereiro, onde pode enfrentar até 20 anos de prisão. nnO contexto mais amplo ressalta os riscos. Um relatório da ONU de 2023 observou temores de defensores sobre represálias que desencorajam a participação na ONU, com uma atualização de 2024 relatando aumento de casos. A Global Witness documentou mais de 2.000 defensores ambientais mortos ou desaparecidos de 2012 a 2024, quase um terço indígenas. Em outubro, o Conselho de Direitos Humanos da ONU criticou a designação da Rússia de 55 grupos indígenas como extremistas. nnOutros ativistas enfrentam pressões semelhantes. A ativista saami Valentina Vyacheslavovna Sovkina relatou uma busca de quatro horas em sua casa naquela semana, acreditando que decorria de seu trabalho pelos direitos. «Estou sendo perseguida por meu ativismo e meu compromisso inabalável em proteger os direitos dos povos indígenas», disse ela. nnGrupos internacionais como Cultural Survival, a Coalizão SIRGE e o Conselho Internacional do Tratado Indígena denunciaram a prisão de Egereva como intimidação ligada a processos climáticos da ONU. Nem o Tribunal do Distrito de Basmanny nem a ONU responderam a indagações.