Indigenistas decifram sinais na floresta para proteger isolados da Amazônia

Indigenistas da Funai monitoram grupos indígenas isolados no sul do Amazonas por meio de vestígios deixados na floresta, como marcas em árvores e acampamentos abandonados. A expedição ao território Mamoriá Grande revela esforços para preservar o isolamento voluntário desses povos, ameaçados por doenças e invasões. A recente decisão do STF contra o marco temporal reforça a proteção dessas terras.

Em uma expedição no sul do Amazonas, na Reserva Extrativista do Médio Purus, indigenistas da Funai, como Daniel Cangussu e Lucas Mattos, coordenadores das Frentes de Proteção Etnoambiental (FPEs) Madeira e Purus, decifram sinais deixados por indígenas isolados do Mamoriá Grande. Esses vestígios incluem "quebradas" alternadas em picadas, tiradas de envira para cordas e de caripé para cerâmica, além de redes de dormir que indicam o número de pessoas — cerca de 60 no grupo flagrado em agosto de 2021.

O encontro de 2021, durante uma patrulha, levou a gritos dos isolados, confirmando sua existência, mas a Funai, sob o governo Bolsonaro, negou o grupo, alegando serem hi-merimã. Em fevereiro de 2025, um jovem do grupo aproximou-se de ribeirinhos em Bela Rosa pedindo fogo, com sinais de fome; ele e sua família, falantes de uma língua arawá peculiar, foram monitorados à distância.

A política de não contato, adotada pela Funai desde os anos 1980 sob Sydney Possuelo, visa evitar contatos que historicamente dizimaram populações, como os panará, reduzidos de 400 para 60 em dois anos nos anos 1970. Indígenas como Atxu Marimã, sobrevivente de tragédias familiares nos anos 1980, e Mandeí Juma, do povo juma massacrado, integram as equipes para fortalecer a proteção.

"É essencial desmistificar equívocos acerca dos povos indígenas isolados", diz Cangussu, autor de "Vestígios da Floresta" (2024). A Funai reconhece 114 povos isolados, com 28 confirmados. O STF, em 18 de dezembro de 2025, rejeitou o marco temporal, que exigia presença em 1988 — impossível para isolados —, e ordenou a delimitação de Mamoriá Grande em 2026, após decreto de restrição em setembro de 2024 impulsionado por ação da Apib.

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