Pesquisadores descobriram que os sapos dentados de Bornéu, há muito considerados uma única espécie, na verdade compreendem vários grupos genéticos distintos. Análises genéticas sugerem cerca de seis ou sete espécies, em vez das até 18 propostas anteriormente. Esta descoberta destaca os desafios em definir limites de espécies para esforços de conservação.
Sapos dentados de Bornéu, pequenos anfíbios marrons nomeados pelas suas projeções de mandíbula semelhantes a dentes, têm intrigado cientistas desde que Limnonectes kuhlii foi descrito pela primeira vez em 1838. Pesquisas genéticas recentes, lideradas por Chan Kin Onn da Michigan State University, revelam que o que se pensava ser uma espécie pode incluir múltiplas linhagens ocultas, conhecidas como espécies crípticas. A A equipa analisou DNA de mais de 13.000 genes em exemplares coletados das florestas tropicais montanhosas de Bornéu malaio. Publicado em Systematic Biology, o estudo identifica vários agrupamentos genéticos, mas conclui que existem cerca de seis ou sete espécies distintas, não as 18 sugeridas por trabalhos anteriores. «Não é apenas uma espécie. Mas também não são 18 espécies», afirmou Chan. Esta descoberta sublinha uma tendência mais ampla: avanços na sequenciação genética estão a descobrir espécies crípticas em animais como insetos, peixes, aves e mamíferos. Contudo, o cruzamento significativo entre os sapos — descrito por Chan como «uma quantidade enorme de fluxo génico» — difumina os limites das espécies, indicando que a especiação é um continuum gradual em vez de um evento súbito. Tais distinções são importantes para a conservação, uma vez que os anfíbios enfrentam ameaças graves. Uma análise de 2023 de cerca de 8.000 espécies concluiu que duas em cinco estão em risco de extinção. Identificar espécies com precisão ajuda a priorizar recursos limitados, embora uma divisão excessiva possa exagerar as ameaças ao reduzir as áreas de distribuição percebidas. «Não podemos conservar tudo, por isso temos de fazer triagem», explicou Chan. A pesquisa destaca uma «zona cinzenta» na especiação que complica os esforços para catalogar a biodiversidade da Terra, estimada em 8,7 milhões de espécies, mas potencialmente muito superior quando se contabiliza a diversidade oculta.