Cientistas analisaram fósseis de peixes antigos da Austrália e da China, fornecendo novas perspectivas sobre como os primeiros vertebrados transitaram da água para a terra. Os estudos focam em restos de peixes pulmonados com mais de 400 milhões de anos, revelando detalhes sobre sua anatomia e evolução. Essas descobertas destacam o papel dos peixes pulmonados como parentes próximos dos tetrápodes, incluindo os humanos.
Pesquisadores da Flinders University, na Austrália, e da Academia Chinesa de Ciências publicaram dois estudos que lançam luz sobre peixes pulmonados antigos, fundamentais para compreender a evolução dos vertebrados durante o período Devoniano Superior, há cerca de 400 milhões de anos. Em um estudo, utilizou-se tomografia computadorizada avançada em um fóssil fragmentário da Formação Gogo, na região de Kimberley, no norte da Austrália Ocidental. Este sítio, outrora parte de um sistema de recifes devonianos semelhante à moderna Grande Barreira de Corais, rendeu um espécime descrito pela primeira vez em 2010 como potencialmente um novo tipo de peixe. A autora principal, Dra. Alice Clement, observou: «O espécime incomum era tão enigmático que os autores que o descreveram pela primeira vez em 2010 consideraram que poderia ser um tipo totalmente novo de peixe nunca antes visto na ciência.» As varreduras corrigiram interpretações errôneas anteriores, mostrando que o fóssil fora visto de cabeça para baixo e de trás para a frente, e revelaram detalhes complexos da cavidade encefálica e do ouvido interno. A coautora Hannah Thiele acrescentou: «Pudemos comparar a sua área de ouvido interno mais preservada com outros peixes pulmonados de Gogo. Isto é um ponto de dados adicional na incrível coleção de peixes pulmonados e espécies de vertebrados primitivos.» O segundo estudo reconstruiu o crânio de Paleolophus yunnanensis, um peixe pulmonado de 410 milhões de anos do sul da China. Dr. Brian Choo, que colaborou na pesquisa, explicou: «Paleolophus dá-nos uma visão sem precedentes de um peixe pulmonado de um tempo entre a sua aparição mais antiga e a sua grande diversificação alguns milhões de anos mais tarde.» Este fóssil mostra adaptações alimentares que persistiram em períodos posteriores e compara-se a outras espécies iniciais como Diabolepis da China e Dipnorhynchus da Austrália. Ambos os estudos, apoiados pelo Australian Research Council e pela National Natural Science Foundation da China, enfatizam a linhagem antiga dos peixes pulmonados, com parentes vivos como o peixe pulmonado australiano em Queensland. As descobertas foram publicadas no Canadian Journal of Zoology e na Current Biology em 2026.