O Tribunal Oral Criminal de Temuco emitiu um veredicto de culpabilidade contra seis de onze réus no caso Operação Hurricane por uso de informações falsas contra membros de comunidades mapuche em 2017. Todos foram absolvidos da acusação de associação ilícita. A sentença será anunciada em 2 de abril.
O caso Operação Hurricane, um dos escândalos mais graves na força policial Carabineros do Chile, avançou para o encerramento em 9 de janeiro de 2026 no Tribunal Oral Criminal de Temuco. Os juízes Rocío Pinilla, Patricia Abollado e Javier Bascur estabeleceram que seis dos onze acusados, membros da Unidade de Inteligência Operacional Especializada (UIOE) em La Araucanía em 2017, cometeram crimes de obstrução à justiça e falsificação de documentos públicos para perseguir membros de comunidades mapuche por supostos atos de violência. Os condenados são o ex-general Gonzalo Blu Rodríguez, ex-chefe nacional de Inteligência; o ex-major Patricio Marín Lazo; o ex-capitão Leonardo Osses Sandoval; o civil Alex Schmidt Leay, conhecido como “o professor”; o ex-general Marcelo Teuber; e Manuel Riquelme do Labocar. Blu enfrenta três contagens de obstrução e cinco de falsificação, enquanto Marín e Schmidt foram responsáveis pelo planejamento e execução da armação. O julgamento, que durou mais de 150 dias desde março de 2025, revelou que em 2017 os Carabineros fabricaram evidências em uma operação que capturou supostos terroristas, incluindo o líder da CAM Héctor Llaitul. Os membros da comunidade foram libertados meses depois, ao se descobrir o engano, invertendo os papéis: os investigadores se tornaram réus. Todos os acusados foram absolvidos de associação ilícita, pois o tribunal considerou insuficientes as provas do Ministério Público. “O tribunal adquiriu a convicção de que os fatos estabelecidos ocorreram de fato dentro da Unidade de Inteligência Operacional Especializada (...), com dolo concreto de conhecer e cometer cada um dos crimes comprovados”, afirma a resolução. Cinco réus — Marvin Marín, Cristián Pérez, Marcos Sanhueza, Darwin Vásquez e Manuel Cavieres — foram absolvidos das acusações. Após o veredicto, o advogado de Blu, Cristián Arias, criticou o Ministério Público: “O único que não pode se orgulhar deste veredicto é o Ministério Público, que inventou uma associação ilícita para envolver meu cliente em toda essa trama, e o tribunal oral desqualificou de imediato essa suposta associação ilícita.” Ele apontou o promotor Carlos Palma como responsável pela acusação falsa. A audiência de sentença está marcada para 2 de abril às 10h.