Uma investigação do New York Times revelou lacunas nas verificações de antecedentes da Uber que permitem que motoristas com certas condenações por crimes violentos graves se juntem à plataforma após sete anos. Embora a Uber rejeite condenados por crimes graves como assassinato ou agressão sexual, aprova outros, como agressão ou perseguição, em muitos estados. Esse sistema irregular levanta preocupações de segurança para os passageiros.
A investigação do New York Times destaca inconsistências no processo de verificação de motoristas da Uber nos Estados Unidos. A Uber desqualifica automaticamente candidatos com condenações por assassinato, agressão sexual, sequestro ou terrorismo. No entanto, em 22 estados, a empresa pode aprovar indivíduos condenados por outros crimes graves, incluindo abuso infantil, agressão e perseguição, desde que as condenações tenham mais de sete anos.
As verificações de antecedentes em 35 estados dependem principalmente do histórico residencial do candidato nos últimos sete anos, o que pode ignorar condenações de outras áreas. Essa abordagem contrasta com a da concorrente Lyft, que proíbe motoristas com qualquer condenação anterior por crime violento grave, independentemente do tempo decorrido.
Uma auditoria de 2017 em Massachusetts levou à proibição de mais de 8.000 motoristas de carona previamente aprovados, representando cerca de 11 por cento do total. Documentos internos da Uber de 2015 mostram executivos considerando mudar as discussões sobre segurança das verificações de antecedentes para alternativas mais baratas para reduzir incidentes. Em um e-mail de 2018, o então chefe de comunicações de segurança da Uber chamou a política da empresa de "o mínimo indispensável".
O Times identificou pelo menos seis casos em que motoristas da Uber com condenações violentas anteriores enfrentaram acusações de agressão sexual ou estupro por passageiros, com duas resultando em condenações criminais para os motoristas. Dados internos da Uber de 2017 a 2022 indicam relatos de agressão sexual ou má conduta a cada oito minutos em suas operações nos EUA. A empresa observa que 75 por cento desses casos envolviam questões menos graves, como comentários inadequados, e afirma que 99,9 por cento das corridas ocorrem sem incidentes.
Esses achados destacam debates contínuos sobre medidas de segurança em serviços de carona e a efetividade das regulamentações em nível estadual.