Pesquisadores da Escola de Medicina de Yale afirmam ter identificado duas proteínas na superfície de neurônios que ajudam a transportar a alfa-sinucleína mal dobrada — uma proteína fundamental implicada na doença de Parkinson — para dentro de células saudáveis, uma descoberta que pode apontar novas estratégias visando desacelerar a progressão da doença.
Um estudo da Escola de Medicina de Yale examinou como a alfa-sinucleína mal dobrada, uma proteína que se acumula na doença de Parkinson, pode mover-se de um neurônio para outro e potencialmente contribuir para o agravamento dos sintomas ao longo do tempo.
Para investigar como a proteína tóxica consegue entrar em neurônios saudáveis, os pesquisadores criaram 4.400 grupos de células modificadas, cada um exibindo uma proteína de superfície diferente, e testaram se a alfa-sinucleína mal dobrada se ligaria a elas. A equipe relatou que 16 proteínas de superfície se ligaram à proteína mal dobrada e destacou duas — mGluR4 e NPDC1 — que pareciam trabalhar juntas para transportar a proteína mal dobrada para dentro das células.
Em experimentos com camundongos descritos pelos pesquisadores, animais geneticamente modificados para que a mGluR4 ou a NPDC1 não funcionassem mais mostraram um acúmulo muito menor de alfa-sinucleína mal dobrada após a exposição e não desenvolveram sintomas semelhantes aos do Parkinson observados em camundongos normais. A equipe também relatou que, em um modelo separado de camundongo com doença de Parkinson, a remoção dos genes de qualquer uma das proteínas reduziu a progressão dos sintomas e diminuiu o risco de morte.
As descobertas foram publicadas na Nature Communications e lideradas por Stephen Strittmatter, neurologista e neurocientista de Yale, que afirmou que entender como a alfa-sinucleína entra nos neurônios pode ajudar os pesquisadores a projetar abordagens para bloquear ou desacelerar o processo da doença.
Os tratamentos atuais para o Parkinson concentram-se principalmente no controle dos sintomas e não retardam de forma confiável a doença subjacente, segundo os pesquisadores. Nos Estados Unidos, a Parkinson’s Foundation estima que cerca de 1,1 milhão de pessoas vivem com a doença de Parkinson e cerca de 90 mil novos casos são diagnosticados a cada ano.
Strittmatter também apontou as tendências demográficas — uma parcela crescente de idosos na população — como um fator que aumenta a urgência dos esforços voltados para o desenvolvimento de terapias que possam retardar a neurodegeneração.