DeFi envolve as finanças tradicionais em vez de substituí-las

Uma análise recente argumenta que as finanças descentralizadas (DeFi) falharam em cumprir sua promessa de bancarizar os desbancarizados ao se construírem meramente sobre a infraestrutura financeira tradicional existente. Em vez de criar novos trilhos financeiros, o DeFi depende de bancos, reguladores e sistemas centralizados para suas operações principais. Essa dependência limita sua acessibilidade àqueles já excluídos do sistema.

As finanças descentralizadas surgiram com uma narrativa convincente: bilhões de pessoas em todo o mundo estão desbancarizadas devido à lentidão, exclusão, custo e viés em favor dos incumbentes das finanças tradicionais. As blockchains, sendo abertas, sem permissão, globais e neutras, deveriam fornecer uma solução bancarizando os desbancarizados. No entanto, após cinco anos de crescimento, o DeFi não deslocou as finanças tradicionais, mas as envolveu, de acordo com um artigo de opinião do crypto.news publicado em 11 de janeiro de 2026. O artigo destaca que os essenciais do DeFi —dinheiro, identidade, precificação, acesso e liquidez— ainda derivam de bancos, reguladores e infraestrutura centralizada. Stablecoins como Tether (USDT) e USD Coin (USDC), que impulsionam a atividade on-chain, são respaldadas principalmente por depósitos bancários, títulos do Tesouro ou equivalentes de caixa sob custódia no sistema tradicional. On-ramps e off-ramps de fiat são gerenciados por intermediários regulados que controlam o acesso. Dados de preço vêm de exchanges centralizadas via oráculos, e o acesso do usuário depende de app stores, navegadores, provedores de nuvem e redes de pagamento dentro da ordem financeira existente. Essa dependência estrutural significa que o DeFi não pode alcançar aqueles excluídos pelas finanças tradicionais. Os desbancarizados não carecem apenas de produtos como otimizadores de rendimento ou exchanges descentralizadas, mas de infraestrutura fundamental: identidade confiável, conectividade, custódia, pagamentos e resolução de disputas. O DeFi assume internet estável, eletricidade, dispositivos, identidade e recurso legal —exatamente o que muitas populações desbancarizadas não têm. Como o texto afirma, «O DeFi assume que você pode adquirir stablecoins por meio de gateways regulados. Assume que você pode proteger chaves privadas. Assume que você pode corrigir erros». A indústria, segundo a análise, seguiu o caminho de menor resistência, otimizando para velocidade, eficiência de capital e integração com bancos em vez de reconstruir do zero. Isso levou à dependência: quando reguladores apertam, a liquidez contrai; quando bancos falham, stablecoins oscilam. A adoção do DeFi alinha-se assim com riqueza e acesso, beneficiando traders, fundos e instituições sobre pequenos comerciantes em lugares como Lagos ou famílias no interior da Índia. A verdadeira mudança requer trabalho pouco glamoroso: novos sistemas de pagamento sem contas bancárias, soluções de identidade independentes de emissão estatal e modelos de custódia para usuários não técnicos. Sem construir trilhos reais —em vez de wrappers ou espelhos—, o DeFi permanece como «parasitismo financeiro com melhor UX», otimizando para capital, não para pessoas. A próxima fase exige se afastar dos centros financeiros em direção a infraestrutura inclusiva.

Artigos relacionados

Panelists at Consensus Miami 2026 discuss trust barriers and tokenization future in blockchain.
Imagem gerada por IA

Consensus Miami 2026 destaca desafios de confiança e tokenização

Reportado por IA Imagem gerada por IA

Painelistas na Consensus Miami 2026 identificaram a confiança como a maior barreira para a adoção de criptomoedas, citando complexidade, má experiência do usuário e falta de transparência. Executivos de empresas como Consensys, Kraken e grandes bancos discutiram a inevitabilidade da tokenização, as necessidades de segurança e os caminhos para a integração convencional. A conferência ressaltou a necessidade de usabilidade, regulamentação e design centrado no ser humano em produtos de blockchain.

O Ethereum está em transição de projetos-piloto experimentais para o uso em produção entre as principais instituições financeiras, segundo Vivek Raman, cofundador da Etherealize.

Reportado por IA

As normas bancárias globais ainda impõem pesadas exigências de capital sobre criptoativos, mesmo com os reguladores abrindo espaço para stablecoins e depósitos tokenizados. A estrutura do Comitê de Basileia, em vigor desde janeiro, trata criptoativos sem lastro com um peso de risco de 1.250 por cento. Esse descompasso pode manter grande parte da atividade fora dos bancos tradicionais.

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar