Cientistas desenvolveram um método para monitorar detritos espaciais reentrando na atmosfera da Terra usando sensores de terremotos existentes. Ao detectar explosões sônicas dos detritos, a técnica fornece rastreamento preciso de sua trajetória e possíveis locais de pouso. Essa abordagem foi testada em detritos da espaçonave chinesa Shenzhou-15.
Milhares de objetos feitos pelo homem orbitam a Terra, e quando os detritos espaciais caem de volta, representam riscos para pessoas no solo. Um novo estudo mostra que redes de sismômetros, originalmente projetados para detectar terremotos, podem rastrear essas reentradas capturando as ondas de choque que produzem. O autor principal, Benjamin Fernando, um pesquisador pós-doutoral na Universidade Johns Hopkins que estuda terremotos na Terra, Marte e outros planetas, destacou a urgência. «As reentradas estão acontecendo com mais frequência. No ano passado, tivemos múltiplos satélites entrando em nossa atmosfera todos os dias, e não temos verificação independente de onde entraram, se se fragmentaram, se queimaram na atmosfera ou se chegaram ao solo», disse ele. «É um problema crescente e vai piorar.» A pesquisa, publicada em 22 de janeiro na revista Science, testou o método na reentrada do módulo orbital da espaçonave chinesa Shenzhou-15 em 2 de abril de 2024. Esse objeto, com cerca de 3,5 pés de largura e pesando mais de 1,5 tonelada, era grande o suficiente para colocar pessoas em risco potencial. Usando dados de 127 sismômetros no sul da Califórnia, Fernando e o coautor Constantinos Charalambous, do Imperial College London, calcularam a velocidade do módulo em cerca de Mach 25-30—cerca de dez vezes a velocidade do jato mais rápido. Ele se moveu para nordeste sobre Santa Barbara e Las Vegas, viajando 25 milhas ao norte do caminho previsto pelo Comando Espacial dos EUA. Os sinais sísmicos revelaram a altitude do módulo e o ponto de fragmentação, ajudando a entender a dispersão de partículas tóxicas de detritos em combustão. O rastreamento preciso permite recuperação mais rápida de materiais perigosos, como visto no incidente Mars 96 russo em 1996, onde uma fonte de energia radioativa contaminou uma área no Chile. «Em 1996, detritos da espaçonave Mars 96 russa caíram da órbita... Beneficiaríamos de ferramentas adicionais de rastreamento, especialmente nas raras ocasiões em que detritos têm material radioativo», observou Fernando. Essa abordagem sísmica complementa previsões baseadas em radar, que podem errar por milhares de milhas, fornecendo dados quase em tempo real sobre caminhos reais após a entrada atmosférica. «É importante desenvolver o maior número possível de metodologias para rastrear e caracterizar detritos espaciais», enfatizou Fernando.