A extinção de grandes animais por humanos antigos desencadeou mudanças ecológicas profundas que remodelaram a história global, segundo uma nova série de ensaios. Na sua parte final, o autor Ed Stoddard explora como estes 'choques secundários' levaram a florestas mais densas nas Américas e na Europa, ao mesmo tempo que sobrecarregaram África com vida selvagem perigosa. Esta perspetiva de longue durée destaca o papel dos animais no desenvolvimento humano.
Na terceira entrega da sua série sobre a primeira onda da Sexta Extinção, Ed Stoddard examina as consequências ecológicas a longo prazo da caça de humanos antigos à megafauna até à extinção fora de África. Publicado a 28 de janeiro de 2026 pela Daily Maverick, o ensaio argumenta que estes eventos, ocorridos durante o Pleistoceno e o início do Holoceno, libertaram 'cascatas tróficas' que alteraram ecossistemas em todo o mundo. Stoddard recorre à abordagem da 'longue durée' da escola dos Annales na história para fundir pré-história e história. Ele cita o historiador africano Christopher Ehret: «I see no value in the artificial separation of our human story into something called ‘history’ and something else called ‘pre-history’. Whatever human beings have done in the past is history.» Os animais também partilham esta história, com as suas ações a influenciar os caminhos humanos. Duas tendências chave emergem. Primeiro, a perda de megaherbívoros como mamutes e preguiças-terrestres permitiu a expansão anormal de florestas na Europa, América do Norte e América do Sul. Estudos, incluindo um da Universidade de Aarhus sobre fósseis de escaravelhos esterqueiros, mostram que as paisagens pré-extinção eram mais abertas e diversas. Christopher Johnson, num artigo de 2009 nos Proceedings of the Royal Society, notou o conjunto outrora mais rico de megaherbívoros na América do Norte comparado à África moderna, prevendo enormes mudanças ecológicas com o seu desaparecimento. Estas mudanças incluíam matas mais densas, fogos aumentados e declínios em plantas co-evoluídas com a megafauna. Sem elefantes como 'engenheiros de habitat' – derrubando árvores e dispersando sementes via estrume – as regiões tornaram-se menos abertas, desafiando o mito de uma 'floresta primordial' intocada pelos humanos. Em segundo, África reteve a sua megafauna, criando um 'fardo bestial' que dificultou o desenvolvimento. Animais perigosos como hipopótamos, crocodilos, leões e elefantes obstruíam rotas comerciais, agricultura e pastoreio. Stoddard refere Guns, Germs, and Steel de Jared Diamond sobre limites à domesticação e liga o comércio de marfim à exploração colonial e à 'maldição dos recursos'. Conflitos, como os que alimentaram o genocídio ruandês entre pastores e agricultores, sublinham tensões contínuas. Hoje, muita megafauna africana persiste, mas os pobres rurais vivem abaixo de uma 'linha de pobreza faunal', vendo a vida selvagem como maldição enquanto ocidentais a veem como bênção. Stoddard sugere que esta história pode guiar a navegação no Antropoceno para humanos e animais alike.