Cientistas descobriram quartzo chocado em sítios chave da era Clovis, fortalecendo evidências de que uma explosão de cometa há cerca de 13.000 anos contribuiu para a extinção de mamutes e outras megafaunas. Este evento cósmico, ligado ao início do período de resfriamento Younger Dryas, pode também explicar o desaparecimento súbito da cultura Clovis por toda a América do Norte. As descobertas, publicadas na PLOS One, destacam assinaturas de calor e pressão extremos incompatíveis com causas vulcânicas ou humanas.
Há quase 13.000 anos, no final da última era glacial, acredita-se que um cometa fragmentado explodiu na atmosfera da Terra, liberando devastação generalizada. Pesquisadores, liderados pelo Professor Emérito da UC Santa Barbara James Kennett, examinaram três sítios arqueológicos Clovis proeminentes: Murray Springs no Arizona, Blackwater Draw no Novo México e Arlington Canyon nas Channel Islands da Califórnia. Esses locais são renomados por documentar as extinções de megafauna e o fim abrupto da cultura Clovis, caracterizada por ferramentas de pedra distintas.
A equipe identificou grãos de quartzo chocado em camadas de sedimento—partículas de areia fraturadas e alteradas por calor e pressão intensos. "Esses três sítios foram sítios clássicos na descoberta e documentação das extinções de megafauna na América do Norte e no desaparecimento da cultura Clovis," explicou Kennett. Usando microscopia eletrônica e catodoluminescência, os cientistas confirmaram que essas mudanças excediam condições de atividade vulcânica ou fogos humanos iniciais.
Essa descoberta alinha-se com a hipótese de impacto Younger Dryas, que postula que fragmentos de cometa detonaram como explosões aéreas, gerando ondas de choque e calor imenso sem formar uma cratera, semelhante ao evento de Tunguska em 1908. "Em outras palavras, todo o inferno se soltou," disse Kennett. As explosões provavelmente acenderam incêndios massivos, produzindo uma camada "black mat" rica em carbono observada por toda a América do Norte e Europa, enquanto fumaça e poeira bloquearam a luz solar, causando um "inverno de impacto". O derretimento rápido das calotas de gelo resfriou ainda mais o clima, durando cerca de 1.000 anos e interrompendo o aquecimento pós-glacial.
Evidências de apoio incluem níveis elevados de elementos associados a cometas como platina e irídio, nanodiamantes, esferulas metálicas e vidro fundido nas mesmas camadas. Modelagem hidrocódigo simulou essas explosões em baixa altitude, reproduzindo os padrões de choque variados no quartzo, de grãos altamente chocados a pouco chocados. "Haverá alguns grãos muito altamente chocados e alguns pouco chocados. É o que se esperaria," observou Kennett.
Coletivamente, esses indicadores sugerem que o impacto cósmico foi um fator principal na perda de grandes animais da Idade do Gelo, como mamutes e mastodontes, e no colapso de populações humanas do Alasca à América do Sul. O estudo, publicado na PLOS One em setembro de 2025 (DOI: 10.1371/journal.pone.0319840), baseia-se em duas décadas de pesquisa sobre essa catástrofe pré-histórica.