Pesquisadores da Curtin University forneceram fortes evidências de que humanos antigos, e não glaciares, transportaram as bluestones para Stonehenge. Ao analisar sedimentos fluviais perto do local, não encontraram assinaturas glaciais, apoiando a ideia de esforço humano deliberado. As descobertas desafiam um debate de longa data na arqueologia.
Por mais de um século, arqueólogos debateram como as massivas bluestones chegaram a Stonehenge, na Salisbury Plain, na Inglaterra. Um novo estudo da Curtin University, na Austrália, oferece evidências convincentes de que pessoas neolíticas moveram intencionalmente essas pedras de locais distantes, provavelmente País de Gales ou Escócia, em vez de depender do transporte glaciar natural. A equipe de pesquisa empregou técnicas avançadas de impressão digital mineral para examinar sedimentos em rios perto de Stonehenge. Eles analisaram mais de 500 cristais de zircão — minerais duráveis que preservam histórias geológicas — usando equipamentos no John de Laeter Centre da Curtin. O autor principal, Dr. Anthony Clarke, do Timescales of Mineral Systems Group na School of Earth and Planetary Sciences da Curtin, explicou a ausência de evidências glaciais: «Se glaciares tivessem carregado rochas da Escócia ou País de Gales até Stonehenge, teriam deixado uma assinatura mineral clara na Salisbury Plain.» A equipe procurou grãos minúsculos nas areias dos rios que indicariam movimento de gelo passado, mas não encontrou nenhum. «Examinamos as areias dos rios perto de Stonehenge em busca daqueles grãos que os glaciares poderiam ter carregado e não encontramos nenhum», disse Dr. Clarke. «Isso torna a explicação alternativa — que humanos moveram as pedras — muito mais plausível.» Embora o estudo confirme o envolvimento humano, os métodos exatos permanecem evasivos. Dr. Clarke observou técnicas possíveis como velejar as pedras ou usar troncos para transporte terrestre, mas acrescentou: «Mas o que sabemos é que o gelo quase certamente não moveu as pedras.» O coautor Professor Chris Kirkland destacou o papel das ferramentas modernas em desvendar enigmas antigos: «Stonehenge continua a nos surpreender. Ao analisar minerais menores que um grão de areia, pudemos testar teorias que persistiram por mais de um século.» Este trabalho se baseia em uma descoberta da Curtin em 2024 que liga a Altar Stone de seis toneladas à Escócia, reforçando a noção de obtenção de pedras a longa distância por construtores pré-históricos. O estudo, intitulado 'Detrital zircon-apatite fingerprinting challenges glacial transport of Stonehenge's megaliths', aparece em Communications Earth and Environment.