Poemas e canções folclóricas indianas com séculos de idade descrevem paisagens de árvores espinhosas e pastagens abertas que correspondem às savanas atuais no oeste da Índia. Um novo estudo sugere que essas áreas são ecossistemas antigos, não florestas degradadas, desafiando suposições de longa data. Essa descoberta pode influenciar estratégias de conservação e esforços de reflorestamento.
No século XIII, um líder religioso marata chamado Cakradhara referenciou uma árvore de acácia como símbolo de morte e renascimento, incorporando descrições do ambiente ao redor em seus escritos. Pesquisadores agora analisaram esses textos históricos, incluindo poemas, canções folclóricas e mitos datados dos anos 1200, para reconstruir a história ecológica das paisagens do oeste da Índia. Publicado na revista People and Nature em 2025, o estudo de Ashish Nerlekar da Michigan State University e Digvijay Patil do Indian Institute of Science Education and Research em Pune examinou referências a plantas nessas narrativas. Eles identificaram menções a 44 espécies de plantas silvestres, com quase dois terços característicos de ecossistemas de savana. Por exemplo, o poema épico Adi Parva do século XVI retrata o vale espinhoso do rio Nira como rico em grama, atraindo pastores de vacas. Outro relato menciona uma árvore taraṭī, ou Capparis divaricata, crescendo em um local de peregrinação do século XV em Pandharpur. A espécie de acácia Vachellia leucophloea, com suas folhas emplumadas e flores brancas, aparece em oito referências, indicando sua prevalência na época. «É uma árvore bastante icônica na região, e também era comum naquela época», disse Nerlekar. Esses relatos mostram que as savanas em Maharashtra, cobrindo cerca de 37.485 quilômetros quadrados, persistem há pelo menos 750 anos, anterior ao desmatamento da era britânica. Evidências fósseis, incluindo pólen e restos de animais comedores de grama como hipopótamos, apoiam uma origem ainda mais antiga abrangendo dezenas de milhares de anos. Por décadas, cientistas e formuladores de políticas viam esses gramados —que abrangem quase 10% da Índia— como florestas degradadas, levando a iniciativas de plantio de árvores. No entanto, o estudo argumenta que são ecossistemas naturais de longa data. Na Índia, as savanas abrigam mais de 200 espécies de plantas endêmicas, muitas sagradas e recentemente descobertas, enfrentando ameaças da agricultura e desenvolvimento. Elas também armazenam carbono e sustentam meios de subsistência para cerca de 20% da população global por meio do pastoreio. «O principal para mim é o quão pouco as coisas mudaram», observou Nerlekar. «Essas histórias com séculos de idade nos dão uma rara visão do passado, e esse passado foi um passado de savana, não de floresta.» Preservar essas áreas é crucial para a biodiversidade e o valor cultural, potencialmente redirecionando a conservação para longe do reflorestamento inadequado.