O primeiro relatório da Comissão Europeia sobre a Lei de Serviços Digitais, publicado na segunda-feira, descreve a lei como 'agnóstica em relação ao conteúdo' e alinhada com direitos fundamentais, enquanto grupos da sociedade civil e autoridades dos EUA alertam que ela pode inibir a expressão e sobrecarregar empresas de tecnologia americanas.
A Comissão Europeia, na segunda-feira, 17 de novembro de 2025, emitiu sua primeira avaliação formal da Lei de Serviços Digitais (DSA), uma revisão marco mandatada pelo Artigo 91 que mapeia como o regime interage com outras leis da UE e confirma os limiares de designação para plataformas online e motores de busca muito grandes. A Comissão apresentou a DSA como um quadro horizontal e processual e enfatizou o amplo apoio para orientações mais claras e coordenação entre reguladores. (digital-strategy.ec.europa.eu)
Em declarações paralelas este ano, altos funcionários da UE descreveram repetidamente a DSA como 'agnóstica em relação ao conteúdo', dizendo que o regulamento não define conteúdo ilegal ou prejudicial, mas estabelece obrigações de devido processo para plataformas quando tal conteúdo aparece online. Em uma resposta parlamentar de 14 de outubro, a Comissão reiterou que os reguladores 'não moderam conteúdo nem impõem qualquer abordagem específica de moderação'. (europarl.europa.eu)
O que a lei faz
- Penalidades: Violações das obrigações da DSA podem resultar em multas de até 6% do faturamento anual global de um provedor, com penalidades periódicas adicionais por não conformidade. (digital-strategy.ec.europa.eu)
- Avaliações de risco: Plataformas e motores de busca muito grandes devem identificar e mitigar riscos sistêmicos, incluindo efeitos negativos na liberdade de expressão, discurso cívico e eleições, e a disseminação de conteúdo ilegal. (eu-digital-services-act.com)
- Redress: Os usuários têm direitos de contestar decisões de moderação por meio de sistemas internos de reclamações das plataformas e órgãos certificados de resolução de disputas extrajudiciais. (digital-strategy.ec.europa.eu)
Críticas de defensores da liberdade de expressão
A Alliance Defending Freedom International (ADF) criticou a revisão da Comissão como desdenhosa das preocupações com a liberdade de expressão. Em comentários ao The Daily Wire, a conselheira sênior da ADF, Dra. Adina Portaru, argumentou que o processo faltou engajamento robusto com vozes dissidentes e alertou que a arquitetura da DSA 'pode impactar criadores de conteúdo, influenciadores, pregadores e dissidentes políticos'. Ela ainda sustentou que a definição da DSA de 'conteúdo ilegal' é excessivamente ampla porque abrange qualquer informação não em conformidade com a lei da UE ou de Estados-Membros. De acordo com a ADF, mais de 100 especialistas em liberdade de expressão assinaram uma carta de outubro instando a Comissão a abordar riscos de censura, e mais de 50 ONGs levantaram preocupações semelhantes em setembro. (Os comentários de Portaru e o total da carta de especialistas foram relatados pelo The Daily Wire e ADF International.) (dailywire.com)
O texto da lei define 'conteúdo ilegal' como informação não em conformidade com a lei da União ou a lei de qualquer Estado-Membro, independentemente do assunto, uma amplitude que grupos de liberdades civis argumentam que poderia incentivar remoções transfronteiriças. (europarl.europa.eu)
Resposta da Comissão
A Comissão manteve que a DSA protege a expressão lícita por meio de direitos processuais, transparência e redress. Em comunicações este ano, os funcionários disseram que o objetivo da lei é manter a internet segura enquanto protege direitos fundamentais e exige que as plataformas avaliem e mitiguem riscos à liberdade de expressão. (Esses pontos foram refletidos em uma resposta parlamentar de outubro e ecoados em declarações citadas pelo The Daily Wire.) (europarl.europa.eu)
Fricção transatlântica
Autoridades dos EUA aguçaram sua crítica. No final de setembro, o Embaixador dos EUA na UE, Andrew Puzder, disse ao Financial Times que Washington apresentaria submissões formais durante as revisões em andamento de regras digitais da UE e pressionou Bruxelas para garantir que as regras não 'punição' tecnologia ou expressão dos EUA; ele acrescentou que as partes precisariam 'sentar e passar por esses atos com cuidado'. (ft.com)
Em agosto, a Reuters relatou que o Secretário de Estado Marco Rubio ordenou que diplomatas dos EUA pressionassem governos europeus para emendar ou revogar aspectos da DSA, citando preocupações com liberdade de expressão e custos. Anteriormente, o Departamento de Estado criticou publicamente a abordagem da Europa à expressão online, e em maio anunciou restrições de visto direcionadas a autoridades estrangeiras supostamente envolvidas em censurar americanos online—medidas amplamente vistas como direcionadas em parte às políticas digitais da UE. (reuters.com)
Contexto mais amplo na Europa
Casos europeus recentes continuam a animar debates sobre expressão. O Supremo Tribunal da Finlândia ouviu o caso de longa data da deputada Päivi Räsänen em 30 de outubro de 2025, após duas absolvições em tribunais inferiores sobre suas declarações em mídias sociais e panfletos sobre sexualidade. No Reino Unido, os tribunais mantiveram regras de zona de amortecimento ao redor de clínicas de aborto, incluindo um caso em Bournemouth onde um ativista foi condenado por violar uma Ordem de Proteção de Espaços Públicos; e na Alemanha, o crime de 'Beleidigung' (insulto) pode resultar em multas, refletindo uma postura mais restritiva sobre certas expressões do que nos EUA. (christiantoday.com)
O que vem a seguir
O relatório da Comissão de 17 de novembro é o primeiro em uma série de revisões exigidas pela DSA até 2027. Separadamente, em 20 de novembro, a Comissão e reguladores nacionais publicaram uma visão geral inaugural de riscos sistêmicos observados em plataformas muito grandes, sinalizando foco contínuo de aplicação em transparência, segurança de menores e impactos de tecnologias emergentes. (digital-strategy.ec.europa.eu)