Químico eterno TFA triplica devido a refrigerantes amigos da camada de ozono

O ácido trifluoroacético (TFA), um poluente persistente conhecido como químico eterno, mais do que triplicou no ambiente global nas últimas duas décadas, em grande parte devido a refrigerantes que protegem a camada de ozono. Embora os níveis atuais permaneçam abaixo dos limiares seguros conhecidos, o acúmulo a longo prazo do químico levanta preocupações para a saúde humana e a vida aquática. Os investigadores exortam ao escrutínio de substitutos mais recentes para evitar consequências ambientais não intencionais.

O aumento do TFA provém da decomposição atmosférica dos hidrofluorocarbonetos (HFC), que substituíram os clorofluorocarbonetos (CFC) após a sua proibição em 1989 por esgotar a camada de ozono. Os CFC, outrora comuns em frigoríficos e aerossóis, foram eliminados globalmente sob o Protocolo de Montreal. Os HFC, embora seguros para o ozono, contribuem para o aquecimento global e degradam-se em TFA ao reagir com radicais hidroxilo no ar. De acordo com um estudo liderado por Lucy Hart na Universidade de Lancaster, Reino Unido, a deposição de TFA aumentou de 6.800 toneladas anuais em 2000 para 21.800 toneladas em 2022 — um aumento de 3,5 vezes. Amostras de núcleos de gelo do norte do Canadá e Svalbard confirmam que as concentrações têm subido desde os anos 1970. As projeções sugerem que isso pode duplicar até 2050 só com HFC, com novas hidrofluoroolefinas (HFO) a potencialmente multiplicar a produção por mais de 20 vezes. Por exemplo, o HFO-1234yf, usado em milhões de ar-condicionados de carros, gera 10 vezes mais TFA do que o HFC que substitui. A persistência do TFA significa que permanece no solo e na água superficial por décadas ou séculos antes de chegar aos sedimentos oceânicos. Estudos em animais mostram que causou deformidades oculares na maioria dos fetos de coelho expostos, e a União Europeia classifica-o como prejudicial à vida aquática considerando-o tóxico para a reprodução humana. Um estudo de 2020 encontrou altos níveis de TFA no sangue de 90 por cento das pessoas testadas na China, um hotspot de produção devido à atividade industrial e ao clima. «É chocante que estejamos a emitir grandes quantidades de um químico para o ambiente de que temos um entendimento muito pobre dos seus impactos, e é basicamente irreversível», disse Hart. Lucy Carpenter, da Universidade de York, Reino Unido, ecoou apelos por alternativas como amónia ou dióxido de carbono, refrigerantes naturais já usados em alguns contextos industriais. «Precisamos de olhar a sério se há melhores alternativas ao HFO-1234yf», acrescentou, notando a presença crescente de TFA em produtos alimentares. A UE está a desenvolver proibições de químicos eternos e prevê que concentrações crescentes em água doce possam tornar-se tóxicas, embora uma consultoria contratada — ligada ao lobby da indústria química — o conteste. Hart enfatiza que as HFO se degradam rapidamente, permitindo controlo rápido: «Se pararmos de as emitir, a produção de TFA para muito rapidamente». A investigação, publicada em Geophysical Research Letters, destaca a necessidade de avaliar substitutos para evitar repetir erros passados com substâncias esgotadoras de ozono.

Artigos relacionados

A photorealistic illustration of a family benefiting from lower cooling costs due to policy changes on refrigerants, featuring an air conditioner in a home setting.
Imagem gerada por IA

Governo Trump se move para flexibilizar exigências sobre refrigerantes da era Biden, citando economia para o consumidor

Reportado por IA Imagem gerada por IA Verificado

O governo do presidente Donald Trump anunciou na quinta-feira que está estendendo os prazos de conformidade relacionados às restrições da era Biden sobre hidrofluorcarbonetos (HFCs), refrigerantes usados em equipamentos de refrigeração, argumentando que a mudança reduzirá custos para empresas e consumidores.

O presidente Donald Trump anunciou no mês passado que sua administração adiaria os prazos para supermercados e empresas de ar-condicionado reduzirem o uso de hidrofluorcarbonetos, ao mesmo tempo que isentou empresas de transporte do reparo de vazamentos em equipamentos de refrigeração. Estima-se que as mudanças economizarão mais de US$ 2,4 bilhões para empresas e famílias.

Reportado por IA

Uma equipe internacional liderada por cientistas do MIT identificou que vazamentos maiores do que o esperado de substâncias químicas utilizadas como matéria-prima industrial são um fator chave que retarda a recuperação da camada de ozônio. Suas análises estimam que isso poderia atrasar o retorno aos níveis de 1980 em até sete anos, de 2066 para 2073. Os pesquisadores pedem controles mais rígidos sob o Protocolo de Montreal para solucionar o problema.

Pesquisadores encontraram níveis inesperadamente altos de metilsiloxanos, uma classe de compostos de silicone, presentes em amostras de ar de cidades, áreas rurais e florestas ao redor do mundo. O estudo vincula grande parte da poluição às emissões de veículos provenientes de aditivos de óleo de motor. Especialistas alertam que a inalação diária dessas substâncias pelos seres humanos pode exceder a exposição a outros poluentes conhecidos, como os PFAS.

Reportado por IA

Pesquisadores desenvolveram uma abordagem de teste aprimorada para hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, ou HAPs, que podem se formar em alimentos cozidos em altas temperaturas.

Este site usa cookies

Usamos cookies para análise para melhorar nosso site. Leia nossa política de privacidade para mais informações.
Recusar