O presidente Gustavo Petro assinou o Decreto 1390 de 2025 declarando uma emergência econômica e social de 30 dias na Colômbia após o Congresso afundar o projeto de financiamento. A medida visa arrecadar fundos para cobrir um déficit de US$ 16,3 trilhões e garantir serviços essenciais como saúde. O anúncio gera debate jurídico e político, com revisões pendentes da Corte Constitucional e do Congresso.
Em 24 de dezembro de 2025, o governo colombiano, liderado pelo presidente Gustavo Petro, declarou estado de emergência econômica e social em todo o território nacional por meio do Decreto 1390 de 2025. Essa decisão segue a rejeição do Congresso ao projeto de financiamento, crucial para o Orçamento Geral da Nação, deixando um rombo de US$ 16,3 trilhões nas receitas esperadas.
O decreto de 20 páginas justifica a emergência por uma “grave e iminente ameaça” à ordem econômica e social. Fatores acumulados incluem pagamentos pendentes da Unidade de Pagamento por Capitação (UPC) na saúde, o impacto da onda invernal, sentenças judiciais no valor de US$ 1,5 trilhão, dívidas contratuais de US$ 5,1 trilhões, compromissos com vítimas do conflito por US$ 1,6 trilhão, restrições de dívida e o fracasso de duas reformas tributárias que visavam arrecadar US$ 12 trilhões e US$ 16,3 trilhões. Também cita perturbações à ordem pública e riscos a líderes sociais.
Pela duração de 30 dias, o Executivo pode expedir decretos com força de lei. As medidas propostas incluem ajustes no imposto progressivo sobre a riqueza para grandes capitais, maiores tributos ao setor financeiro, modificações no IVA e impostos sobre consumo, e impostos “saudáveis” sobre álcool e cigarros. O ministro da Fazenda, Germán Ávila, negou rumores de elevar o 4x1000 para 5x1000, mas confirmou avaliações para um imposto sobre a riqueza escalonado. As receitas adicionais são estimadas em até US$ 4 trilhões, destinados a investimentos sociais e fechamento do déficit.
Em sua alocução de 23 de dezembro, Petro defendeu o uso da emergência para financiar o orçamento da saúde de 2026, o maior da história da Colômbia com US$ 258,4 trilhões investidos em seu mandato, superando o governo anterior em US$ 24,98 trilhões. Ele destacou a queda da mortalidade infantil de 6.330 para 4.005 casos, creditada ao controle das EPS: “Nós, ao reduzir as EPS e controlá-las pela metade, conseguimos que cada vez menos crianças morram um mês depois no ventre de suas mães”. Anunciou uma entidade única de compras centralizadas para medicamentos contra a especulação.
A Corte Constitucional revisará o decreto a partir de 13 de janeiro de 2026, após o recesso judicial, avaliando se o afundamento do projeto justifica exceção constitucional. O Congresso, em recesso, enfrenta apelos por sessões urgentes; o senador Carlos Fernando Motoa pediu controle político e ações de inconstitucionalidade. O presidente do Senado, Lidio García, afirmou: “Nossa decisão não é uma calamidade pública”. Em contraste, o presidente da Câmara, Julián López, apoiou a medida para proteger os vulneráveis. Opositores como Sergio Fajardo a chamaram de “improvisação e caos”, e Claudia López de “abuso de poder”.
Essa emergência testa os equilíbrios institucionais da Colômbia, intensificando tensões entre os poderes.