A Corte Constitucional da Colômbia suspendeu provisoriamente o Decreto 1390 de 22 de dezembro de 2025, que declarava uma Emergência Econômica e Social. O presidente Gustavo Petro criticou a decisão como uma ruptura da ordem constitucional e afirmou que o custo da dívida não recairá sobre a classe trabalhadora. O governo planeja apresentar novas leis tributárias para lidar com o déficit.
Em 30 de janeiro de 2026, a Corte Constitucional da Colômbia votou por seis a dois para suspender provisoriamente os efeitos do Decreto 1390, emitido em 22 de dezembro de 2025 pelo presidente Gustavo Petro. Essa medida havia declarado uma Emergência Econômica e Social para enfrentar um déficit fiscal estrutural e alto risco nos pagamentos da dívida pública. O relatório do magistrado Carlos Camargo pediu a revisão da norma enquanto a Plenária decide sobre o mérito. Petro respondeu em sua conta no X, alegando que a corte prejulgou sem examinar as razões do governo. „Quando por décadas a Corte Constitucional proibiu suspender provisoriamente um decreto de emergência, a atual Corte Constitucional, sem estudar nossas razões, decidiu fazê-lo. É literalmente prejulgamento“, escreveu. Ele acrescentou que isso representa „uma real ruptura da ordem constitucional, só porque há um governo amigo do povo trabalhador“. O presidente enfatizou que, enquanto governa, „qualquer custo da dívida não será pago pelo povo trabalhador“. Petro também lamentou que a suspensão proteja impostos sobre setores ricos, socializando uma crise maior. „Agora virão as consequências de afundar o decreto de emergência. Ao salvar o imposto sobre os mega-ricos, transfere-se e socializa uma crise maior“, postou. Esclareceu que a decisão não é retroativa, de modo que os decretos derivados mantêm a presunção de legalidade. O ministro do Interior Armando Benedetti expressou preocupação, afirmando que levantar a emergência cria uma emergência social ao bloquear recursos para programas sociais e afetar a estabilidade nacional. „Essa decisão protege os setores mais ricos e bloqueia recursos que poderiam ser destinados à população que mais precisa“, disse. O vice-ministro técnico de Fazenda Leonardo Pazos confirmou que o governo apresentará novas leis de financiamento e tributárias ordinárias. „Temos que apresentar leis de financiamento novamente... Vamos fazê-lo“, assegurou. Alertou para um corte de 16,3 trilhões de pesos, deixando cinco milhões de colombianos em três departamentos sem energia e limitando a ajuda às vítimas da onda invernal. Petro ligou isso a defesas mais amplas, como o salário vital (Decreto 1469 com aumento de 23%) e a reforma previdenciária, convocando a força pacífica do povo e uma assembleia constituinte.