O fecho do Estreito de Ormuz devido às tensões em escalada no Médio Oriente obrigou as empresas de navegação globais a desviar navios à volta do Cabo da Boa Esperança, causando atrasos e custos mais elevados. Retalhistas sul-africanos como a Shoprite relatam perturbações com mercadorias presas em trânsito, enquanto os preços crescentes do petróleo agravam as pressões inflacionárias. Especialistas alertam para choques nas cadeias de abastecimento que afetam empresas em todo o mundo.
O fecho do Estreito de Ormuz, resultante dos ataques EUA-Israel ao Irão, criou estrangulamentos no transporte marítimo global, incluindo no Canal do Suez. As empresas de navegação estão agora a dirigir contentores à volta do Cabo da Boa Esperança, adicionando 10-14 dias às rotas e perturbando a produção e o planeamento sazonal. ↵↵O retalhista sul-africano Shoprite indicou que 162 contentores de mercadorias continuam presos, segundo noticiou a Currency News. Isto afeta as cadeias de abastecimento de bens essenciais, com potenciais faltas iminentes de produtos importados. ↵↵Os preços do petróleo subiram para 78 dólares por barril, de 64 dólares uma semana antes, com previsões a sugerirem 100 dólares se as tensões persistirem. A Allianz Trade observou: «Os ataques EUA-Israel ao Irão terão implicações para os mercados energéticos, custos de transporte marítimo, riscos de inflação e condições financeiras – mas tudo depende de quanto tempo dura o conflito.» Um conflito prolongado poderia ecoar a escalada inflacionária de 2022, embora se antecipe uma escalada curta. ↵↵O Chartered Institute of Procurement & Supply (CIPS) descreveu um «choque imediato na cadeia de abastecimento» para as empresas sul-africanas. Paul Vos, diretor-gerente regional da CIPS África Austral, explicou: «O desvio à volta do Cabo está a adicionar 10-14 dias aos ciclos de transporte marítimo global, perturbando os horários de produção e o planeamento da procura sazonal, enquanto prémios de risco de guerra, sobretaxas de combustível e aumentos nas taxas de contentores estão a ser impostos rapidamente, colocando pressão imediata no fluxo de caixa.» ↵↵A CIPS recomenda a inclusão de mecanismos de transferência de sobretaxas nos contratos, o uso de preços indexados ligados a referências de fretes e a revisão de seguros para riscos de guerra. A Reuters informou que a MSC imporá uma sobretaxa de combustível de emergência a partir de 16 de março de 2026 nas rotas Europa-África Austral: R980 (60 dólares) por TEU para contentores standard e R1.471 (90 dólares) para os refrigerados. ↵↵Na África do Sul, preços elevados do petróleo combinados com um rand em enfraquecimento podem travar cortes nas taxas de juro ou provocar subidas pelo Banco Reserva, que visa uma inflação de 3,0%. Embora a compra de pânico ainda não seja aconselhada, a situação sublinha as vulnerabilidades no retalho dependente de importações.