Nova pesquisa sugere que ter um impacto positivo em outras pessoas é um elemento crucial para sentir que a vida tem significado. Os psicólogos Joffrey Fuhrer e Florian Cova analisaram pesquisas para identificar quatro dimensões de significado, incluindo este novo fator além dos tradicionais como coerência e propósito. Suas descobertas destacam como ajudar os outros, mesmo de formas pequenas, pode aprimorar a realização pessoal.
Filósofos debatem há muito o significado da vida, mas estudos científicos recentes oferecem uma visão prática: ajudar os outros pode ser a chave. Joffrey Fuhrer, da Universidade do Leste da Finlândia, e Florian Cova, da Universidade de Genebra, Suíça, realizaram pesquisas online com centenas de residentes dos EUA para explorar essa questão. Os participantes avaliaram vidas fictícias, como a de Amelia, ganhadora da loteria que doa para instituições de caridade que combatem a pobreza e a fome, e viaja ao exterior para apoiar esses esforços. Eles também classificaram definições de significância e avaliaram suas próprias vidas em várias medidas. Os pesquisadores identificaram quatro dimensões: coerência, ou compreensão da própria vida ao longo do tempo; propósito, ou direção; significância, ou valor duradouro; e uma quarta: impacto positivo nos outros. «Encontramos que há quatro dimensões diferentes», diz Fuhrer. Esse último aspecto, argumentam, vai além de modelos anteriores que enfatizavam compreensão, propósito e relevância. Tatjana Schnell, da MF Norwegian School of Theology, Religion and Society em Oslo, concorda que o impacto positivo é central, mas nota pouca distinção da significância. Seu quadro inclui pertencimento existencial junto às outras facetas, enquanto um artigo recente liga suporte social ao significado. Schnell enfatiza que o significado surge não de maximizar todas as áreas, mas de evitar vazios, como falta de coerência ou significância. Frank Martela, da Universidade Aalto na Finlândia, aponta para insatisfação no trabalho, onde tarefas rotineiras não geram resultados positivos, levando a desesperança ou depressão. Para fomentar impacto, especialistas recomendam mudar do foco no self para atividades que beneficiem outros. «Descubra quem você acha que é, quem quer ser e o que pode trazer a este mundo, e então veja como aplicar isso a algo que beneficie outros de forma sustentável», aconselha Schnell. Martela acrescenta que gestos cotidianos, como levar café para um colega, podem contribuir de forma significativa. O estudo aparece no Journal of Happiness Studies (DOI: 10.1007/s10902-025-00996-z).