Pesquisadores da LMU Munich, da Universidade de Ciências Aplicadas de Bonn-Rhein-Sieg, da TU Darmstadt e da Nanion Technologies relatam que o canal iônico lisossômico TMEM175 ajuda a prevenir a acidificação excessiva dentro dos lisossomos, uma disfunção que, segundo a equipe, pode contribuir para o acúmulo tóxico associado à doença de Parkinson. As descobertas foram relatadas na Proceedings of the National Academy of Sciences.
Uma equipe da Universidade de Ciências Aplicadas de Bonn-Rhein-Sieg (H-BRS), da Universidade Ludwig Maximilian de Munique (LMU Munich), da TU Darmstadt e da Nanion Technologies relatou novas evidências que esclarecem como o canal iônico lisossômico TMEM175 influencia a acidez nos lisossomos — compartimentos delimitados por membranas que decompõem resíduos celulares.
Os lisossomos precisam de um interior ácido para degradar macromoléculas em blocos de construção reutilizáveis. De acordo com os pesquisadores, essa acidez é gerada por uma proteína que bombeia prótons (H+) para dentro dos lisossomos, enquanto proteínas adicionais na membrana lisossômica ajudam a manter o pH dentro de uma faixa ideal.
Em um estudo descrito pela LMU Munich em um comunicado à imprensa universitária e republicado pelo ScienceDaily, os cientistas afirmam que o TMEM175 atua como uma "válvula de alívio" que ajuda a evitar que os lisossomos se tornem ácidos demais. O comunicado diz que o trabalho aborda um debate de longa data sobre se o TMEM175 conduz principalmente íons de potássio ou prótons, relatando que o canal pode conduzir ambos e que seu comportamento muda dependendo da acidez luminal.
A colaboração foi liderada pelo farmacologista Professor Christian Grimm (LMU Munich) e pelo Dr. Oliver Rauh (H-BRS), de acordo com o mesmo comunicado. Os pesquisadores disseram que confiaram amplamente em medições de patch-clamp — um método de eletrofisiologia usado para caracterizar o fluxo iônico através dos canais — para mostrar que o TMEM175 pode detectar quando a acidez lisossômica atinge um estado crítico e ajustar o fluxo de prótons através do canal.
No comunicado, Rauh é citado dizendo que o estudo estabelece um papel “decisivo” para o TMEM175 nesse processo e classificando a proteína como incomum entre os canais iônicos. “Agora fomos capazes de demonstrar que o TMEM175 não apenas conduz íons de potássio, mas também prótons, estando, portanto, diretamente envolvido na regulação do pH... no interior dos lisossomos”, disse ele.
Os pesquisadores também argumentaram que mutações que afetam o TMEM175 podem interromper a regulação do pH e prejudicar a degradação lisossômica, contribuindo potencialmente para o acúmulo de proteínas tóxicas e a morte de células neuronais. O comunicado à imprensa associa esses efeitos à doença de Parkinson e outras condições neurodegenerativas, descrevendo o TMEM175 como um alvo potencial para o desenvolvimento de medicamentos.
O estudo foi publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences sob o título “Proton-selective conductance and gating of the lysosomal cation channel TMEM175”, com o DOI 10.1073/pnas.2503909123 e data de publicação de 14 de janeiro de 2026.