Investigadores relatam que os tanícitos — células especializadas que revestem o terceiro ventrículo do cérebro — podem ajudar a transportar a proteína tau do líquido cefalorraquidiano para a corrente sanguínea, e que sinais de disrupção de tanícitos em tecido de pacientes com Alzheimer podem estar associados a uma remoção prejudicada de tau. As descobertas, publicadas a 5 de março na Cell Press Blue, baseiam-se em experimentos com animais e células, e análises de amostras de cérebro humano.
A acumulação de proteína tau no cérebro é amplamente reconhecida como uma das marcas da doença de Alzheimer. Um estudo publicado a 5 de março na revista Cell Press Cell Press Blue descreve um mecanismo envolvendo tanícitos — células não neuronais especializadas — que pode contribuir para a forma como a tau se acumula quando as vias de eliminação falham. Tanycytes are primarily located in the third ventricle. Prior work has linked them to shuttling metabolic signals between the blood and cerebrospinal fluid (CSF), the fluid that surrounds the brain and spinal cord and helps maintain internal balance. Na nova investigação, os cientistas usaram modelos animais e celulares, juntamente com análises de tecido de pacientes com Alzheimer, para examinar se os tanícitos ajudam a eliminar moléculas nocivas como a tau. O estudo relata que os tanícitos podem transportar tau do LCR para a corrente sanguínea, onde pode ser eliminada do corpo. Quando os tanícitos estão danificados ou não funcionam adequadamente, os investigadores relatam que a tau pode acumular-se. «Surpreendentemente, fomos capazes de mostrar em modelos de roedores e celulares não só que os tanícitos estavam de facto envolvidos na eliminação de tau, mas também que os tanícitos nos cérebros de pacientes humanos com Alzheimer estavam fragmentados e apresentavam alterações na expressão génica relacionadas com esta função de transporte», disse Vincent Prévot, do INSERM em França, autor correspondente do estudo. Prévot acrescentou que as descobertas apontam para um papel potencial, relevante para a doença, dos tanícitos na neurodegenerescência, e sugeriu que proteger a função dos tanícitos poderia ser uma estratégia possível para melhorar a eliminação de tau — embora ele e os colegas tenham enfatizado que traduzir os resultados em terapias exigiria trabalho adicional. Os investigadores também destacaram limitações que podem afetar a interpretação dos resultados, incluindo a falta de modelos animais que replicam totalmente a doença de Alzheimer e a necessidade de coortes de pacientes maiores e mais dados longitudinais para avaliar melhor a causalidade e a sequência de eventos que ligam a disfunção de tanícitos à patologia tau. O trabalho foi apoiado pelo European Research Council, os U.S. National Institutes of Health, a Fondation pour la Recherche Médicale e a Fondation NRJ for Neuroscience–Institut de France. O estudo tem o título «Tanycytic degeneration impairs tau clearance and contributes to Alzheimer’s disease pathology» (DOI: 10.1016/j.cpblue.2026.100003).