Pela primeira vez desde 1917, o Plenário da Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) realizará uma sessão fora da Cidade do México, em Tenejapa, Chiapas, na quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026. A sessão extraordinária focará nos direitos indígenas e visa aproximar a justiça das comunidades marginalizadas. Essa iniciativa decorre de uma reforma ao Regulamento de Sessões publicada em setembro de 2025.
O Plenário da Suprema Corte de Justiça da Nação (SCJN) realizará sua primeira sessão extraordinária fora de sua sede na Cidade do México na quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, no município de Tenejapa, Chiapas. A sessão está agendada para as 12:00 na esplanada da Casa de la Cultura em Tenejapa. Esta decisão baseia-se numa reforma ao Regulamento de Sessões da SCJN, publicada em 4 de setembro de 2025, que permite ao Plenário deliberar no território quando razões sociais o justifiquem, mediante pedido de ministros ou cidadãos. O Tribunal visa aproximar a justiça constitucional das comunidades historicamente marginalizadas e povos indígenas, reforçando a transparência, a legitimidade institucional e o acesso efetivo à justiça. Tenejapa foi selecionado como a primeira paragem do Tribunal itinerante porque Chiapas abriga uma das maiores populações indígenas do país, com 12 dos 68 grupos indígenas constitucionalmente reconhecidos presentes. Adicionalmente, quase 70 por cento de sua população enfrenta pobreza multidimensional, de acordo com dados do Inegi e Coneval. A agenda inclui três assuntos relacionados a direitos indígenas. O primeiro é o amparo em revisão 344/2025, interposto pela comunidade indígena tsotsil de La Candelaria, que busca o reconhecimento legal de sua autogovernação. O projeto, liderado pela ministra Loretta Ortiz Ahlf, argumenta que o Congresso local omitiu emitir o necessário quadro regulatório para o direito à livre determinação dos povos, reconhecido no artigo 2.º da Constituição. O segundo item é uma controvérsia constitucional apresentada pela Presidência da República contra o Governo de Hidalgo por declarar a charrería como patrimônio cultural imaterial estadual em 2024. O projeto da ministra Sara Irene Herrerías Guerra propõe validar a ação do Estado, pois o governo de Hidalgo dispunha de competências locais para tal. Por fim, um amparo em revisão da comunidade indígena rarámuri de Tehuerichi, em Chihuahua, a cargo do ministro Arístides Guerrero García. Desde 2012, a comunidade emite certidões de nascimento e óbito devido à ausência de serviços oficiais. O projeto busca reconhecer o governo tradicional rarámuri, validar os documentos e vincular dependências públicas à implementação de políticas interculturais que garantam o direito à identidade.