Pesquisadores da Universidade de Queensland descobriram que muitas espécies de escorpiões fortalecem suas garras e ferrões usando misturas de ferro, zinco e manganês. Os metais se concentram nas pontas e nas bordas cortantes, tornando essas armas mais resistentes, de forma semelhante a uma bota com biqueira de aço. As conclusões derivam do exame de 18 espécies ao redor do mundo.
Sam Campbell e seus colegas da Universidade de Queensland analisaram garras e ferrões de 18 espécies de escorpiões usando técnicas de raio-X e microscopia eletrônica. Eles mapearam a presença de ferro, zinco e manganês, além de traços de cobre, níquel, silício, cloro, titânio e bromo. Esses metais aparecem principalmente nas pontas dos ferrões, bordas cortantes das garras, peças bucais, dentes e garras tarsais, enquanto o restante do exoesqueleto permanece mais macio por comparação, explicou Campbell. As áreas reforçadas por metais assemelham-se a uma bota com biqueira de aço, afirmou. Os escorpiões tornam-se fluorescentes em verde ou azul sob luz ultravioleta, mas essas partes enriquecidas com metais não brilham, observou a equipe. Espécies diferentes distribuem os metais de forma variável com base no comportamento. Espécies com alto teor de zinco nas garras apresentavam níveis baixos nos ferrões, e vice-versa, sugerindo adaptações para usos específicos, notou Campbell. Ainda não está claro como os escorpiões adquirem os metais, embora as presas sejam a fonte provável. Aaron LeBlanc, do King’s College London, classificou o enriquecimento metálico como mais comum do que se pensava anteriormente, especialmente em dentes de vertebrados. Ele descreveu o estudo como pioneiro para a compreensão de sua evolução entre linhagens. A pesquisa foi publicada na revista Journal of the Royal Society Interface.