Uma equipa internacional criou um novo método para prever onde escorpiões perigosos são mais prováveis de ser encontrados, focando em fatores ambientais como tipo de solo e temperatura. O estudo, centrado no centro de Marrocos, visa melhorar a prevenção e o tratamento de picadas de escorpião, um problema de saúde global que afeta milhões anualmente. As descobertas podem orientar campanhas de sensibilização e respostas médicas em áreas de alto risco em todo o mundo.
Cientistas da University of Galway na Irlanda e da University Ibn Zohr em Marrocos pioneiraram uma ferramenta de previsão para identificar focos de escorpiões altamente venenosos. Integrando trabalho de campo realizado em África com modelação computacional, os investigadores identificaram o tipo de solo como o influência dominante na distribuição de escorpiões, com médias de temperatura e variações sazonais também significativas para espécies específicas. O estudo, publicado em Environmental Research Communications em 2026, examinou a fauna de escorpiões no centro de Marrocos, reconhecido como uma das áreas mais graves do mundo para picadas de escorpião. Usando uma técnica chamada modelação de Entropia Máxima, a equipa analisou dados globais sobre composição do solo, temperatura e características do habitat para prever zonas de alto risco, mesmo em regiões com registos escassos. As picadas de escorpião representam uma preocupação substancial de saúde pública, com mais de 2 milhões de incidentes reportados anualmente, levando a mais de 3.000 mortes de crianças globalmente. Grupos vulneráveis, incluindo crianças e adultos mais velhos, enfrentam sintomas graves de venenos potentes, e identificar a espécie envolvida frequentemente atrasa o tratamento eficaz com antiveneno. Dr. Michel Dugon, autor sénior e chefe do Venom Systems Lab na University of Galway, enfatizou o impacto potencial: «As descobertas podem salvar vidas. Ao identificar onde escorpiões perigosos são mais propensos a aparecer, as autoridades de saúde podem direcionar campanhas de sensibilização, formar equipas médicas de linha da frente e focar a prevenção comunitária em áreas de alto risco, especialmente protegendo crianças. A abordagem pode ser aplicada onde quer que os escorpiões representem uma ameaça, do Brasil ao Médio Oriente e Índia.» O primeiro autor Fouad Salhi, investigador doutoral na University Ibn Zohr, destacou a combinação de métodos: «Esta investigação mostra como dados de biodiversidade podem informar políticas de saúde pública. Combinando trabalho de campo a longo prazo com modelação ecológica, fomos capazes de identificar onde escorpiões perigosos são mais prováveis de ocorrer. Visamos ter impacto no mundo real -- apoiar estratégias de prevenção, melhorar a preparação médica e, em última análise, contribuir para a redução do fardo das picadas de escorpião, tanto em Marrocos como para além.» O projeto envolveu colaboração com estudantes de licenciatura do programa BSc Zoology da University of Galway, que participam em viagens anuais a Marrocos. Dr. Colin Lawton, chefe de zoologia lá, notou o papel crescente da instituição na investigação global.