Estudo revela que tiranossauros praticavam canibalismo

Um osso do pé fossilizado de 75 milhões de anos encontrado em Montana apresenta marcas de mordida de um tiranossauro menor alimentando-se de um parente muito maior. Pesquisadores utilizaram escaneamentos 3D para documentar essa evidência de comportamento de carniçaria. A descoberta, publicada este ano, destaca a alimentação oportunista entre esses antigos predadores.

Josephine Nielsen, mestranda em geociências na Universidade de Aarhus, liderou a análise de um metatarso de tiranossauro descoberto na Formação Judith River, em Montana. O osso, que hoje se encontra no Badlands Dinosaur Museum em Dickinson, Dakota do Norte, apresenta 16 marcas de mordida distintas. Nielsen aplicou escaneamento 3D de alta resolução e o sistema de classificação CM para confirmar que as marcas vieram dos dentes de um tiranossauro menor no espécime maior, que pesava várias toneladas e provavelmente media de 10 a 12 metros de comprimento quando vivo. As marcas não mostram sinais de cicatrização e aparecem em uma área com pouca carne, indicando que a alimentação ocorreu tardiamente na decomposição, após o desaparecimento dos tecidos moles. “Analisei a profundidade, o ângulo e a localização das marcas em um ambiente virtual 3D e posso documentar que essas marcas de mordida não ocorreram por acaso. São impressões precisas dos dentes de um tiranossauro menor que se alimentou de um parente muito maior”, afirmou Nielsen. Ela trabalhou com modelos digitais e uma impressão 3D devido aos riscos de transporte do original. O estudo, publicado na Evolving Earth, contou com o apoio da paleontóloga Taia Wyenberg-Henzler e do curador Denver Fowler. Nielsen entrou em contato com eles durante um acampamento de escavação em Montana em 2024. “O osso não mostra sinais de cicatrização após a mordida do dinossauro menor. Como as marcas estão localizadas no pé, onde há pouca carne, isso sugere que o dinossauro estava 'limpando' e comendo os últimos restos de uma carcaça antiga”, explicou ela. Esta pesquisa demonstra como as ferramentas digitais revelam detalhes precisos do comportamento dos dinossauros, estabelecendo uma forma padronizada de interpretar marcas de mordida.

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