Cientistas descobriram Spinosaurus mirabilis, uma nova espécie de dinossauro espinossaurídeo, em uma área remota do Saara de Níger. A descoberta, liderada por Paul Sereno da Universidade de Chicago, apresenta uma crista impressionante em forma de cimitarra e sugere que esses dinossauros vadearam rios do interior em vez de serem totalmente aquáticos. Os fósseis, desenterrados em 2019 e 2022, aparecem em um estudo publicado na Science.
Em novembro de 2019, paleontólogos avistaram uma crista em forma de cimitarra e fragmentos de mandíbula na superfície do Saara central em Níger. Demorou até 2022, com uma equipe maior, para desenterrar mais duas cristas e confirmar a descoberta de Spinosaurus mirabilis, uma espécie de espinossaurídeo anteriormente desconhecida. A pesquisa, envolvendo uma equipe de 20 membros liderada por Paul Sereno, PhD, Professor de Biologia e Anatomia Organismal na Universidade de Chicago, foi publicada na Science em 2026. O recurso mais notável do dinossauro é sua enorme crista, texturizada com canais de vasos sanguíneos indicando que era coberta de queratina e provavelmente colorida vividamente, arqueando-se para cima como uma lâmina curva para exibição. O crânio mostra dentes superiores e inferiores firmemente entrelaçados, formando uma armadilha para presas escorregadias, uma característica vista em animais que comem peixes, mas distinta entre dinossauros em espinossauros. Ao contrário de fósseis espinossaurídeos anteriores de locais costeiros, esses restos vêm de depósitos de rios do interior a 500-1000 km das antigas linhas costeiras, ao lado de esqueletos de dinossauros de pescoço longo em sedimentos de vias navegáveis florestadas. Esse habitat interior desafia ideias de espinossauros totalmente aquáticos. «Eu enxergo este dinossauro como uma espécie de 'garça infernal' que não tinha problema em vadear com suas pernas robustas em dois metros de água, mas provavelmente passava a maior parte do tempo espreitando armadilhas mais rasas para os muitos peixes grandes da época», disse Sereno. A expedição rastreou uma nota dos anos 1950 sobre um dente similar, guiada por um homem tuaregue local ao local. «Essa descoberta foi tão repentina e incrível, foi realmente emocionante para nossa equipe», acrescentou Sereno, relembrando o momento da reconstrução digital no Saara. A descoberta reforça a importância paleontológica do Níger, com fósseis preparados no laboratório da Universidade de Chicago e réplicas indo para a exposição do Chicago Children's Museum a partir de 1º de março. Artistas paleo criaram reconstruções, incluindo uma cena do dinossauro sobre uma carcaça de celacanto, em destaque na capa da Science.