Um amplo estudo francês realizado com 112.395 adultos constatou que o maior consumo de certos aditivos conservantes alimentares — especialmente conservantes não antioxidantes — foi associado a uma maior incidência de hipertensão e, para algumas exposições, de doenças cardiovasculares. As descobertas foram publicadas online em 20 de maio de 2026, no European Heart Journal.
Uma grande análise da coorte francesa NutriNet-Santé relatou associações entre aditivos conservantes alimentares comumente usados e resultados de saúde posteriores, incluindo hipertensão e doenças cardiovasculares.
Os pesquisadores analisaram registros alimentares detalhados e repetidos de 112.395 participantes e rastrearam novos diagnósticos de pressão alta e doenças cardiovasculares ao longo de um acompanhamento médio de cerca de 7,9 anos. Na análise, os participantes com a maior ingestão de conservantes totais não antioxidantes apresentaram uma incidência 29% maior de hipertensão e uma incidência 16% maior de doenças cardiovasculares do que aqueles com a menor ingestão.
Quando os investigadores examinaram conservantes individuais, oito aditivos consumidos por pelo menos 10% dos participantes foram associados a uma maior incidência de hipertensão após correção estatística:
- sorbato de potássio (E202)
- metabissulfito de potássio (E224)
- nitrito de sódio (E250)
- ácido ascórbico (E300)
- ascorbato de sódio (E301)
- eritorbato de sódio (E316)
- ácido cítrico (E330)
- extratos de alecrim (E392)
Dentre eles, o ácido ascórbico (E300) também foi associado a uma maior incidência de doenças cardiovasculares.
Mathilde Touvier, diretora de pesquisa no INSERM e autora sênior do estudo, afirmou que as descobertas devem levar os órgãos reguladores a revisar o equilíbrio entre riscos e benefícios desses aditivos. Ela enfatizou que o trabalho é observacional e não pode provar causa e efeito, mas acrescentou que os resultados apoiam a recomendação existente de priorizar alimentos não processados ou minimamente processados e evitar aditivos desnecessários.
A equipe informou que estudos adicionais estão planejados para explorar potenciais vias biológicas, incluindo ligações ao estresse oxidativo e alterações na microbiota intestinal.