Um estudo que analisou dados de pesquisas dietéticas de mais de 8.300 brasileiros com 60 anos ou mais constatou que a prática de adicionar sal aos alimentos à mesa foi relatada com mais frequência por homens do que por mulheres, e que os fatores ligados a esse hábito diferem conforme o gênero, de acordo com os resultados publicados na Frontiers in Public Health.
Os pesquisadores examinaram dados de 8.336 brasileiros com 60 anos ou mais que participaram da Pesquisa Nacional de Alimentação de 2017–2018, um componente da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Brasil. Os participantes completaram um recordatório alimentar de 24 horas e responderam se tinham o hábito de adicionar sal à comida à mesa.O estudo constatou que 12,7% dos homens relataram adicionar sal à mesa, em comparação com 9,4% das mulheres.Entre os homens, a análise identificou duas associações estatisticamente significativas. Os homens que não seguiam uma dieta para hipertensão tinham mais do que o dobro de probabilidade de relatar o hábito de adicionar sal à mesa do que aqueles que seguiam (razão de chances ajustada de 2,44). Homens que moram sozinhos também apresentaram maior probabilidade de relatar o hábito do que aqueles que vivem com outras pessoas (razão de chances ajustada de 1,62, equivalente a uma probabilidade 62% maior).Entre as mulheres, o hábito foi associado a um conjunto mais amplo de características. As mulheres que não seguiam uma dieta para hipertensão tiveram maiores chances de adicionar sal à mesa (razão de chances ajustada de 1,68). Chances maiores também foram observadas entre mulheres que não relataram o consumo de frutas (razão de chances ajustada de 1,81) ou que não relataram o consumo de vegetais (razão de chances ajustada de 1,40). Mulheres que vivem em áreas urbanas e mulheres cujas dietas tinham uma alta contribuição de alimentos ultraprocessados também apresentaram mais do que o dobro de chances de relatar o hábito, em comparação com seus respectivos grupos de referência.