Pesquisadores liderados pelo Scripps Institution of Oceanography da UC San Diego desenvolveram o GOFLOW, uma técnica de aprendizado profundo que converte imagens térmicas de satélites meteorológicos geoestacionários em mapas de alta resolução de correntes da superfície oceânica. O sistema revela características que mudam rapidamente, abaixo de 10 quilômetros, vitais para o clima, a absorção de calor/carbono e os ecossistemas marinhos, com resultados publicados na Nature Geoscience (DOI: 10.1038/s41561-026-01943-0).
Luc Lenain, oceanógrafo do Scripps, e Kaushik Srinivasan (agora na UCLA) lideraram o desenvolvimento do GOFLOW — Geostationary Ocean Flow — após identificarem padrões dinâmicos de temperatura em dados de satélite da Corrente do Golfo no Atlântico Norte em 2023. A rede neural, treinada com correntes oceânicas simuladas, analisa sequências reais de imagens térmicas de satélites como o GOES-East (capturadas a cada cinco minutos), rastreando como os padrões se curvam, se alongam e se deslocam para inferir velocidades e direções das correntes. Os coautores incluem Roy Barkan (Universidade de Tel Aviv) e Nick Pizzo (Universidade de Rhode Island), com financiamento do Office of Naval Research, da NASA e do European Research Council.
Diferente dos tradicionais satélites de órbita polar (que revisitam a área a cada 10 dias), navios ou radares (de cobertura limitada), o GOFLOW gera mapas horários de características de pequena escala, como redemoinhos que impulsionam a mistura vertical — anteriormente observáveis apenas em modelos. A validação em relação aos dados de navios da Corrente do Golfo de 2023 mostrou correspondências sólidas, superando métodos baseados em topografia em termos de resolução.
'Satélites meteorológicos observam a superfície do oceano há anos', disse Lenain. 'O avanço foi aprender como transformar esse lapso temporal em mapas horários de correntes, rastreando como os padrões de temperatura se curvam, se alongam e se movem de uma hora para a outra'. Ele observou que isso permite observações reais de correntes intensas, fundamentais para estudos de absorção de calor e carbono.
Não são necessários novos satélites, embora a cobertura de nuvens continue sendo um desafio. A equipe planeja uma expansão global e disponibilizou publicamente os dados e o código.