Uma pesquisa Datafolha divulgada em 11 de março de 2026 revela que a desconfiança no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiu 43%, o maior índice desde 2012, enquanto no Poder Judiciário chegou a 36%, também um recorde. O levantamento, realizado entre 3 e 5 de março com 2.004 pessoas em 137 municípios, indica piora generalizada na confiança em sete de oito instituições analisadas desde dezembro de 2024. A opinião pública majoritária rejeita condutas éticas questionáveis dos ministros do STF.
A pesquisa Datafolha, registrada no TSE sob o número BR-03715/2026, entrevistou 2.004 brasileiros de 16 anos ou mais em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Entre dezembro de 2024 e março de 2026, a confiança piorou em sete de oito instituições. Os partidos políticos mantêm o topo da desconfiança, com 52% da população afirmando não depositar nenhum crédito neles, estável em relação aos 50% anteriores, dentro da margem de erro.
O STF registrou seu maior índice de desconfiança em 43%, contra 38% em dezembro de 2024, enquanto a confiança plena caiu de 24% para 16%. No Poder Judiciário, 36% declaram não confiar, o recorde desde 2017, up de 28%. A avaliação do trabalho dos ministros do STF é ótima ou boa para 23%, queda de 32%, e ruim ou péssima para 39%, alta de 35%.
A insatisfação é maior entre homens (46%), pessoas com alta escolaridade (45%) e renda acima de 10 salários mínimos (65% de reprovação). Eleitores de Lula (PT) mostram 44% de satisfação com o STF, contra 7% entre apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo tribunal em 2025 por tentativa de golpe.
Fatores como o caso Master, envolvendo relações entre ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, contribuem para o desgaste. Toffoli deixou a relatoria do inquérito após PF identificar compras de fundos ligados ao banco em empresa familiar sua. A esposa de Moraes tem contrato de até R$ 129 milhões com o Master.
Sobre ética, 79% discordam que ministros julguem causas com clientes de parentes; 78% rejeitam serem sócios de empresas; 76% opõem-se a pagamentos por palestras privadas. Em 2023, o STF anulou por 7 a 4 regra que impedia tal julgamento, com votos de Moraes e Toffoli. O presidente Edson Fachin retomou debates sobre código de ética, mas adiou para após eleições, com relatoria de Cármen Lúcia.
Outras instituições: Presidência da República, 43% de desconfiança (up de 36%); imprensa, 36% (up de 28%); Forças Armadas, 27% (recorde, após condenações em 2025); grandes empresas, 26% (up de 20%); Congresso Nacional, 45% sem confiança, 14% avaliam ótimo ou bom (down 7pp).
O descrédito no Legislativo é maior entre mais escolarizados (10% satisfeitos vs. 20% entre menos instruídos) e homens (43% ruins/péssimos).