Uma pesquisa Datafolha revela que 71% dos brasileiros consideram muito importante a diversidade racial e étnica nas empresas, empatada com a de gênero. O estudo, realizado em setembro de 2025, também identifica líderes empresariais notáveis e empresas destacadas em inclusão. A maioria vê positively as políticas de diversidade, embora perceba lacunas em treinamentos e representatividade.
A pesquisa Datafolha, divulgada em 16 de dezembro de 2025, entrevistou 1.200 funcionários em cargos administrativos ou superiores de empresas com pelo menos 50 colaboradores, entre 2 e 20 de setembro, em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A margem de erro é de três pontos percentuais.
Setenta e um por cento dos respondentes classificam como muito importante trabalhar em ambientes com diversidade racial e étnica, um aumento em relação aos 66% de 2024. O mesmo percentual vale para o equilíbrio de gênero, com oscilação de quatro pontos. Diversidade etária foi citada por 65%, e sexual por 53%.
Ianaira Neves, coordenadora de pesquisa da FGV, atribui o crescimento do letramento sobre diversidade ao período pós-2020, após a morte de George Floyd. "Conforme aumentam as iniciativas ESG, mais pessoas buscam se inteirar sobre esses temas", diz ela. Oitenta e quatro por cento veem as políticas de diversidade como positivas para si mesmos, 82% para a sociedade e 81% para as empresas.
No entanto, 62% acreditam que suas empresas se preocupam com diversidade, mas houve quedas na percepção de importância corporativa: de 58% para 48% em gênero, 54% para 46% em idade e 45% para 39% em orientação sexual. A maioria não recebeu treinamentos nos últimos 12 meses: 55% em diversidade racial, 57% em gênero e 60% em sexual.
Amanda Aragão, da Mais Diversidade, recomenda formações a cada seis meses. A empresa realizou 256 treinamentos de janeiro a setembro de 2025, com foco em liderança inclusiva. A Bayer promoveu um treinamento de 14 horas para alta gestão. Kleber Carvalho, da Bayer, afirma: "Estamos vivendo um contexto externo difícil, mas a inclusão permanece prioritária."
Em lideranças, Luiza Trajano foi citada por 18% como principal feminina, seguida por Leila Pereira (4%). Rachel Maia liderou menções negras (5%). Para indígenas, Sônia Guajajara (6%); para homossexuais, Gil do Vigor (4%). Maria do Carmo Rebouças destaca a sub-representatividade: 75% das empresas abertas não têm diretores pretos, pardos ou indígenas.
A Natura foi vista como a mais diversa por 14% em menções espontâneas, pelo segundo ano. Paula Benevides nota o dobro de líderes negros desde 2022, com meta de 25% até o fim de 2025. Na estimulada, C&A liderou com 19%. Empresas como Petrobras e Banco do Brasil têm metas de 25% a 50% em representatividade até 2029-2030.