Um estudo inédito revela que a esperada transferência de US$ 9 trilhões em riqueza na América Latina, com o Brasil à frente, pode elevar o investimento social privado por meio de family offices. Pesquisadores ouviram 70 family offices e 23 famílias de alta renda, destacando o papel de novas gerações e mulheres na filantropia estruturada. Dados mostram crescimento de 82,5% nessas estruturas, gerenciando R$ 457 bilhões.
A pesquisa 'Filantropia & Family Offices: Perspectivas e Oportunidades', de Juliana de Paula e Cássio Aoqui, mapeia o cenário da filantropia brasileira via single e multi family offices. Globalmente, estima-se uma transferência de US$ 124 trilhões até 2048, segundo a Cerulli Associates, com US$ 9 trilhões na América Latina. No Brasil, o número de family offices formais subiu 82,5% entre 2020 e 2023, de 80 para 146, administrando R$ 457 bilhões, conforme a Anbima.
Dos single family offices, 85% atendem clientes com mais de R$ 1 bilhão em patrimônio. Nos multi, 6% das famílias estão nessa faixa, e 11% entre R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão. Sobre doações, 30% das famílias destinam R$ 1 milhão a R$ 5 milhões anuais, e 25% mais de R$ 10 milhões. Setenta e um por cento das famílias de alta renda já formalizaram sua filantropia em fundações ou institutos.
Cássio Aoqui observa: 'Essa redistribuição traz a necessidade de planejamento patrimonial mais sofisticado.' Juliana de Paula adiciona: 'Os family offices podem potencializar um maior impacto socioambiental.' Teresa Bracher, filantropa, afirma: 'A gente tem compromisso com o Brasil: melhorar o país para ser mais justo.'
Novas gerações e mulheres impulsionam a pauta, com 47% dos gestores de multi family offices citando isso. Mariana Feffer, herdeira da Suzano, enfatiza: 'É o momento de destravar capital filantrópico.' Luiza Nascimento, do Ice, destaca: 'A filantropia é uma ferramenta que pode trazer mais união familiar.' Beatriz Johannpeter, da Gerdau, aponta gaps em produtos financeiros de impacto.
O censo do Gife indica R$ 5,8 bilhões em investimento social privado em 2024. Cássio França, do Gife, conclui: 'É possível criar arranjos que estimulem mais a doação e agreguem impacto social nos legados familiares.'