A Folha e o Centro de Estudos em Finanças da FGV lançaram nesta quarta-feira (17) a segunda edição do levantamento sobre diversidade nas empresas brasileiras, analisando inclusão de gênero, raça e idade em companhias de capital aberto. O estudo revela melhorias sutis na participação feminina e de pessoas pretas, pardas e indígenas, mas alerta para persistentes desigualdades na alta gestão e práticas de diversity washing. Baseado em dados da CVM referentes a 2024, o relatório destaca 20 empresas líderes em DEI e aponta omissões de dados por 85 companhias.
A segunda edição do estudo Diversidade nas Empresas, parceria entre a Folha e o Centro de Estudos em Finanças da FGV, foi lançada em 17 de dezembro de 2025. O levantamento analisou 403 companhias de capital aberto de médio e grande porte, com base nos Formulários de Referência de 2025 da CVM, referentes a dados de 2024 coletados em 31 de julho de 2025. Empresas com menos de 100 funcionários foram excluídas por falta de comparabilidade.
Os pesquisadores incluíram métricas de gênero, raça (pretos, pardos e indígenas, ou PPI) e idade (pessoas com 50 anos ou mais). Houve leve avanço na participação feminina: 13,4% nos cargos de diretoria, 17,8% no conselho de administração, 35,4% em lideranças e 37,7% em não lideranças. Para PPI, os números são 33,7% em lideranças, 49,9% em não lideranças, mas apenas 4,7% em diretoria e 3,7% no conselho. "As melhorias foram muito sutis, especialmente no topo da gestão", afirma Henrique Castro, professor da FGV e coautor.
O índice DEI, calculado com pesos de 40% para gênero e raça, e 20% para idade, identificou as 20 empresas mais diversas, priorizando distribuição geográfica em todas as regiões do Brasil. Banco do Brasil e TIM lideram nacionalmente, com destaque para o varejo (Pague Menos, Renner, C&A). No entanto, 50% das empresas não têm mulheres na diretoria e 75% nenhuma PPI na alta gestão. Claudia Yoshinaga, professora da FGV, alerta: "Há uma disparidade gigantesca, considerando que o Brasil tem maioria de mulheres e pessoas negras".
Além disso, 85 empresas (21%) omitiram dados de diversidade, especialmente raciais na alta gestão, como Casas Bahia e Rede D’Or. A CVM, desde 2022, exige transparência, mas a ausência limita políticas de inclusão, segundo a comissão.
O estudo também integra pesquisa Datafolha, revelando que 71% valorizam diversidade, mas gênero e raça são vistos como entraves à carreira por 23% e 24%, respectivamente. A onda antidiversidade dos EUA impactou variadamente, com mais de 50 empresas saindo de fóruns LGBTI+ no Brasil.