Um juiz federal anulou o protocolo antipiquetes, decidindo que o Ministério da Segurança não tem autoridade para restringir direitos constitucionais administrativamente. O governo nacional, liderado pela ministra da Segurança Alejandra Monteoliva, defendeu a medida e anunciou que recorrerá nos tribunais. A decisão judicial resulta de um amparo coletivo apresentado pelo Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS).
O juiz federal Martín Cormick declarou nula a Resolução 943/23, que estabelece o protocolo antipiquetes, em resposta a um amparo coletivo do CELS. De acordo com a decisão, emitida em 29 de dezembro de 2025, o Ministério da Segurança não tem autoridade para limitar direitos constitucionais por resolução administrativa, citando as leis 16.986 e 19.549. O juiz abriu uma via penal para reclamações de pessoas afetadas pela aplicação do protocolo.
O governo respondeu rapidamente. A ministra da Segurança Alejandra Monteoliva publicou no X: “Sem protocolo não há ordem, há caos.” Ela defendeu a ferramenta como validada pela experiência, com bases técnicas, legais e operacionais, e acusou a 'velha política' de buscar desordem. “Não daremos um passo atrás: vamos recorrer”, garantiu. O Ministério da Segurança emitiu um comunicado intitulado “SEM PROTOCOLO ANTIPUQUETES NÃO HÁ ORDEM”, destacando que a Justiça o validou anteriormente e que ele garante a livre circulação sem proibir protestos, apenas regulando-os.
O protocolo, criado durante a gestão de Patricia Bullrich e mantido sob Monteoliva, foi amplamente aplicado no último ano. Um exemplo chave é a marcha da CGT em meados de dezembro contra a reforma trabalhista de Javier Milei. Outro incidente ocorreu em 12 de março, quando o repórter Pablo Grillo foi ferido por um projétil de gás lacrimogêneo durante um protesto perto do Senado; ele ainda se recupera em reabilitação.
O CELS celebrou a decisão: “Ela impõe limites ao que o Ministério da Segurança pode fazer: não pode restringir direitos constitucionais.” Críticos como Rodolfo Aguiar, da ATE, viram-na como um avanço contra a repressão, estimando mais de 1.400 feridos em manifestações desde sua implementação, e afirmaram que uma resolução não pode sobrepor-se à Constituição.