Há mais de uma década, a área de Kya Sands, no norte de Johannesburg, é atormentada por fumaça tóxica de locais de descarte ilegal transformados em terras baldias em chamas. Sindicatos criminosos organizados operam esses locais, descarregando grandes quantidades de lixo diariamente e ateando fogos noturnos que liberam poluentes perigosos. Cerca de 150.000 moradores enfrentam riscos à saúde devido ao ar poluído, em meio a respostas regulatórias fracassadas.
No norte de Johannesburg, o local desativado de Kya Sands Waste Disposal evoluiu desde 2014 para uma rede de pelo menos 10 pontos de descarte ilegal, controlados por grupos criminosos organizados apelidados de “Waste-Lords”. Diariamente, centenas de caminhões entregam lixo doméstico, de construção, tóxico, eletrônico e médico, com operadores cobrando até R800 por carga e gerando milhões em receita. Após a recuperação de recicláveis, o restante é queimado à noite para liberar espaço, produzindo uma névoa tóxica carregada de benzeno, etilbenzeno e outros compostos perigosos que se espalham sobre Kya Sands e subúrbios próximos como Fourways e Bloubosrand.
Essa poluição afeta cerca de 150.000 pessoas de todas as classes econômicas, de assentamentos informais a áreas ricas. Mary Kawonga, professora associada da Wits School of Public Health, destaca os perigos: “A queima a céu aberto de lixo contribui para a poluição do ar... Exposições de curto prazo podem resultar em efeitos agudos na saúde, como tosse, dificuldade para respirar... exposição de longo prazo... resulta em condições graves de saúde, incluindo doenças pulmonares crônicas, agravamento de sintomas de asma, doenças cardíacas, cânceres e maior risco de morte prematura.” Ela observa que partículas PM2.5 de tais queimas causam cerca de 270.000 mortes globais anualmente.
Apesar de reclamações repetidas, autoridades como Pikitup, a City of Johannesburg e a polícia ofereceram pouco além de inspeções em 2021 e um plano estratégico em 2022, sem mudanças concretas. Em agosto de 2024, o Kya Sands Burning Wasteland Community Forum obteve uma ordem judicial para testes de qualidade do ar, mas a Cidade perdeu prazos, levando a mais ações judiciais contra 12 entidades. Testes independentes confirmam a insalubridade do ar.
A comunidade busca uma força-tarefa governamental conjunta, fechamento dos locais, aplicação da lei e novas instalações legais de lixo para enfrentar essa crise impulsionada pela negligência.