Cientistas da Universidade de Cornell descobriram uma enorme população de abelhas mineradoras que nidificam no solo no Cemitério East Lawn, em Ithaca, Nova York, uma das maiores comunidades conhecidas no mundo. O local abriga entre 3 milhões e 8 milhões de abelhas, destacando os cemitérios como habitats vitais para polinizadores em meio às pressões urbanas. Os pesquisadores enfatizam o papel dessas abelhas solitárias na polinização de plantações locais, como as de macieiras.
No Cemitério East Lawn em Ithaca, Nova York, enxames de Andrena regularis, conhecidas como abelhas mineradoras, estão emergindo de ninhos subterrâneos. Esses insetos solitários, felpudos e com tons de preto e bege, cavam túneis no solo para depositar ovos, que eclodem em larvas e adultos na primavera seguinte. Cientistas da Universidade de Cornell, incluindo o ecologista comunitário Jordan Kueneman, identificaram o local como sede de uma das maiores e mais antigas comunidades de abelhas do tipo no mundo, conforme detalhado em um novo artigo de pesquisa coautorado por Kueneman. Os gramados cortados e o solo estável do cemitério imitam condições ideais de nidificação: áreas que não inundam e são fáceis de cavar sem que desmoronem, explicou Kueneman. A poda da grama expõe o solo, aquecendo-o mais rapidamente e auxiliando a atividade das abelhas, embora as equipes possam realizar o corte mais cedo para minimizar perturbações. Os pesquisadores estimam entre 3 milhões e 8 milhões de abelhas em todo o terreno, incluindo outras espécies, com densidades que chegam a milhares por metro quadrado. Uma proporção saudável de fêmeas para machos sinaliza uma população próspera. A presença de abelhas-cuco parasitas, Nomada imbricata, que invadem ninhos e cujas larvas devoram as hospedeiras, confirma ainda mais a riqueza ecológica do local. Além das abelhas, os cemitérios abrigam morcegos, aves, coiotes e plantas raras, livres de ameaças urbanas como multidões, cães e carros, segundo Seth Magle, do Instituto de Vida Selvagem Urbana do Zoológico de Lincoln Park. Christopher Grinter, da Academia de Ciências da Califórnia, descreveu a descoberta como um momento de revelação para promover a biodiversidade em lugares inesperados. Os responsáveis pela manutenção dos terrenos podem melhorar os habitats reduzindo o uso de raticidas e plantando espécies nativas, apoiando polinizadores essenciais para as plantações e para o resfriamento urbano.