Pesquisadores da Universidade de Hokkaido relatam que células que permanecem com um conjunto extra de DNA após um erro de divisão podem ter resultados marcadamente diferentes dependendo de como a divisão falha — descobertas que podem ajudar a explicar por que algumas células anormais persistem em doenças onde a duplicação de todo o genoma é comum, incluindo o câncer.
Cientistas associam há muito tempo a duplicação de todo o genoma (WGD) — quando uma célula acaba com o dobro da quantidade habitual de DNA — a resultados prejudiciais, como disfunção celular e instabilidade genética. Um novo estudo da Universidade de Hokkaido argumenta que o mecanismo que produz a WGD é um fator importante no que acontece a seguir.
Os pesquisadores compararam duas vias comuns para a WGD:
- Falha na citocinese, na qual a célula completa a maior parte das etapas da mitose, mas falha na divisão física final em duas células.
- Deslizamento mitótico, no qual a célula sai da mitose cedo demais, antes que os cromossomos sejam devidamente separados.
Usando técnicas de imagem de células vivas e marcação de cromossomos, a equipe descobriu que as células produzidas por meio da falha na citocinese eram geralmente mais estáveis e mais propensas a sobreviver, enquanto as células produzidas pelo deslizamento mitótico apresentavam com mais frequência uma distribuição desigual dos cromossomos e menor sobrevivência.
O estudo também relata que melhorar experimentalmente a separação dos cromossomos em células que passam pelo deslizamento mitótico tornou essas células significativamente mais viáveis, apontando a organização e segregação dos cromossomos como um fator chave para esses destinos diferentes.
As descobertas podem ter implicações para a pesquisa do câncer, observam os autores, porque a duplicação de todo o genoma é comumente observada em células cancerígenas e pode ser desencadeada involuntariamente por algumas terapias — levantando a possibilidade de que as células com maior probabilidade de persistir após a WGD poderiam ajudar a alimentar o crescimento contínuo ou a recorrência.
O trabalho foi publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences por Masaya Inoko, Guang Yang, Yuki Tsukada e Ryota Uehara.