Droga para artrite reumatoide melhora rins para transplante

Pesquisadores da Famerp, com apoio da Fapesp, testaram o anakinra para reduzir inflamação em rins de doadores falecidos, potencializando seu uso em transplantes. O estudo, premiado no Congresso Latino-Americano de Transplantes em 2025, mostrou resultados promissores em rins de suínos. No Brasil, complicações pós-transplante afetam 60% a 70% dos pacientes.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), explorou o uso do anakinra, medicamento aprovado pela Anvisa para artrite reumatoide, na preservação de rins de doadores falecidos. Realizado em parceria com a University Medical Center Groningen, nos Países Baixos, o trabalho utilizou 24 rins de suínos, divididos em três grupos: controle sem tratamento, perfusão hipotérmica com a droga a 4°C e perfusão normotérmica a 37°C.

Os resultados indicaram redução significativa na expressão de citocinas inflamatórias, melhorando o perfil molecular dos órgãos sem causar danos teciduais. "Conseguimos reduzir significativamente a expressão de citocinas inflamatórias nos rins tratados", relatou Ludimila Leite Marzochi, autora principal. O anakinra bloqueou a inflamação iniciada após a morte cerebral, agravada pelo armazenamento em baixa temperatura.

No Brasil, 60% a 70% dos receptores de rins de doadores falecidos desenvolvem insuficiência renal aguda temporária pós-transplante, taxa duas vezes maior que na Europa e nos EUA, devido a fatores como tempo de isquemia fria e condições de preservação. "Isso significa maior tempo de hospitalização, mais comorbidades e mais custo para o sistema de saúde", explicou Mário Abbud-Filho, orientador do estudo.

Embora máquinas de perfusão normotérmica sejam eficazes, seu custo elevado – cerca de R$ 15 mil a mais por órgão, elevando em 50% o valor do transplante no SUS – limita sua adoção, com apenas um centro utilizando rotineiramente. O anakinra surge como alternativa acessível para o método tradicional de armazenamento em gelo. Heloísa Cristina Caldas destacou: "Sabemos que a inflamação começa ainda no doador, logo após a morte cerebral".

O estudo ganhou o prêmio de melhor trabalho no Congresso Latino-Americano de Transplantes, em outubro de 2025, no Paraguai. Próximos passos incluem testes em rins humanos descartados em Indiana, EUA, a partir de 2026, e avaliação no método de preservação estática.

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